sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Grandes Uniformes: Copa do Mundo (Parte 4)

O post de hoje é dedicado aos grandes uniformes utilizados na Copa do Mundo de 1998, realizada na França.


Inglaterra - Home:

A Inglaterra voltava a uma Copa do Mundo depois de estar de fora da edição de 1994. Com um time jovem e renovado, a campanha tinha tudo para dar certo. Entretanto, os comandados de Glenn Hoddle foram eliminados pela histórica rival, Argentina, nas oitavas-de-final.

Com um uniforme marcante, de camisas brancas com gola azul e detalhes em vermelho e azul, calções azuis e meias brancas, o English Team representou bem o seu país, esteticamente falando.







Holanda - Home:

Depois da boa campanha na Copa de 1994, sendo eliminada pelo campeão Brasil nas quartas-de-final, a Holanda voltava à Copa com uma equipe tão ou mais forte que a anterior. Em 1998, foram eliminados mais uma vez pela Seleção Canarinho, desta vez na semi-final, em um dos grandes jogos da história das Copas.

Com mais uma vez, um belo uniforme, a Holanda foi autêntica, com uma combinação simples de camisas laranjas com gola preta, calções brancos e meias laranjas. A combinação de futebol envolvente e uniforme marcante se destacou em 1998, arregalando os olhos de muitos no mundo.







Brasil - Home:

Como o defensor do título de campeão do mundo, o time do Brasil vinha com uma geração bastante talentosa, mesclada com veteranos de qualidade. Infelizmente, a Seleção foi derrotada pela dona da casa, a França, na Final, após um apagão do time brasileiro.

Pelo menos, o uniforme produzido pela Nike foi bastante agradável. Com a combinação clássica do Brasil, agregada de finas listras verdes no ombro, Ronaldo e companhia foram marcantes nesta Copa do Mundo.










França - Home:

Claro que não podia deixar de citar a campeã do torneio, a França, dona da casa. Com um time recheado de craques, como Zidane, Thuram, Djorkaeff, Blanc e Lizarazu, os Bleus não decepcionaram a torcida local, massacrando o Brasil na Final por 3 a 0.

Com um uniforme baseado na década anterior, a França apostou no tradicional, com a camisa azul com uma listra horizontal grande vermelha e outras pequenas brancas, calções brancos e meias azuis.










Croácia - Away:

Disputando pela primeira vez a Copa do Mundo depois de declarar independência da Iugoslávia, a Croácia foi a seleção mais surpreendente do torneio, terminando com um espetacular terceiro lugar. Com um timaço, com Suker, Boban, Prosinecki, entre outros, a Croácia desfilou nos gramados franceses.

Ambos os uniformes usados eram belíssimos, mas o segundo tinha um tom especial. Numa combinação de rara felicidade, camisas azuis com detalhes nas laterais quadriculados em vermelho e branco, calções e meias azuis, os croatas fizeram muito bonito também no fardamento, sendo fieis ao orgulho e à bandeira do seu país.






Espanha - Home:

A Espanha, em 1998, ainda não era nada parecida com a potência que é hoje. Com um time que contava com veteranos como Zubizarreta e Hierro, e contando com a velocidade do jovem Raúl, fizeram uma campanha pífia, sendo eliminados na primeira fase.

Pelo menos, no uniforme, foram extremamente felizes. Com a sua combinação clássica, contando com tons mais escuros, La Fúria apresentou um fardamento elegante e marcante.










Noruega - Home:

A Noruega voltava à Copa do Mundo, depois de uma campanha relativamente boa em 1994, com um time forte e aguerrido comandado pelo experiente Egil Olsen. Chocaram o mundo ao derrotarem o Brasil na fase de grupos, mas não conseguiram ir muito longe, perdendo para a Itália nas oitavas.

Apresentaram um futebol duro, mas um uniforme bonito, com camisas vermelhas, calções brancos e meias azuis escuras.









Jamaica - Home:

A Jamaica participaria pela primeira vez de uma Copa do Mundo na edição de 1998. Os Reggae Boys, como são conhecidos, eram comandados pelo competente brasileiro Renê Simões, e fizeram uma surpreendente campanha nas eliminatórias, para serem eliminados na primeira fase, em um grupo fortíssimo, com Argentina e Croácia.

Usaram um uniforme muito chamativo, marcante, destacado. Camisas amarelas com detalhes verdes e negros, calções negros e meias amarelas. Os Reggae Boys, se não marcaram pelo Futebol, marcaram pela personalidade e simpatia.

No próximo post, Copa de 1994! Valeu!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Craques que Não Assistimos Jogar: Raymond Kopa

O craque homenageado de hoje é um dos primeiros grandes jogadores da história de seu país. Fez parte de um timaço, uma máquina de fazer gols, disputando a Copa de 1958, mas infelizmente, cruzando com o Brasil. Talvez o primeiro astro do Futebol francês, o nome do Craque que Não Assistimos Jogar é Raymond Kopaszewski, conhecido como Raymond Kopa.

Kopa nasceu em 13 de outubro de 1931, na cidade de Nœux-les-Mines, na França, filho de pais polonesas, a razão do seu sobrenome, Kopaszewski. Aos seis anos de idade, sofreu um acidente na mina de carvão aonde trabalhava, perdendo seu dedo indicador da mão esquerda, recebendo desde então pensão do governo francês.

Iniciou sua carreira no Futebol em um clube local, participando de um concurso nacional de jogadores jovens. Chegou à final do concurso, sendo derrotado por outros concorrentes por causa de sua estatura franzina - media quando adulto 1,69. Kopa teria que utilizar de características suas que compensassem seu pequeno tamanho, como a sua agilidade tremenda e sua inteligência.

Aos 17 anos, foi contratado pelo Angers, clube da Segunda Divisão do país, onde iniciou sua carreira profissional. Praticamente na mesma época, aos 18 anos, teve de escolher entre o passaporte francês ou polonês, optando pelo primeiro e encurtando seu sobrenome, de Kopaszewski para Kopa. Pelo Angers, marcou 15 gols em 60 partidas na Liga.

Dois anos depois de sua chegada à Angers, foi comprado pelo Stade Reims, da Primeira Divisão, clube onde se consagrou. Ficou cinco temporadas em Reims, ajudando o clube a conquistar dois Campeonatos Franceses, em 1953 e 1955, além da Copa Latina - torneio disputado antigamente entre clubes da Itália, França, Portugal e Espanha - de 1953.

Kopa fez parte do maior time da história do Stade Reims, dividindo o gramado com grandes craques franceses, dentre os quais León Glovacki e Michel Hidalgo. Na sua primeira passagem pelo Reims, jogou 158 partidas, marcando 48 vezes, além de proporcionar inúmeras assistências aos seus companheiros e mostrar toda a sua técnica ao mundo.

Ajudou o clube a chegar na primeira Final da Copa da Europa (hoje UEFA Champions League), em 1956, onde enfrentaria o Real Madrid de Alfredo Di Stéfano e Francisco Gento. O Stade Reims perderia por 4 a 3, mas Kopa encantaria os dirigentes dos Merengues, que o contrataram na temporada seguinte.

Raymond Kopa ajudaria o Real Madrid a se tornar um timaço, um time de estrelas, se juntando a Di Stéfano, Gento, o recém contratado Ferenc Puskás, José Santamaría, entre outros. Kopa auxiliaria o Real Madrid a conquistar três Copas da Europa seguidas - 1957, 1958 e 1959 - e dois Campeonatos Espanhóis, em 1957 e 1958.

Por conta do posicionamento original do monstro Alfredo Di Stéfano, o armador do time, Kopa teve de se adaptar à ponta-direita, o que o fez com maestria. Nesta posição, teve espaço para seus dribles desconcertantes e desenvolver ainda mais sua visão de jogo magistral. Disputou 101 partidas, entre Campeonato Espanhol e Copa da Europa, marcando 30 gols.

Poucas vezes na história do Futebol se viria um grupo tão talentoso de ataque quanto o do Real Madrid desta época. Contando com Kopa, Di Stéfano, Puskás, Gento, Héctor Rial e Joseíto, os Merengues encantavam a todos.

Suas exibições foram tão espetaculares que foi eleito o melhor jogador da Europa no ano de 1958, recebendo o Ballon D'Or, a Bola de Ouro, da Revista France Football.

No mesmo ano de 1958, fez parte do primeiro grande time da história da Seleção da França. Além de Kopa, o talentoso selecionado francês contava com jogadores como Just Fontaine - o maior artilheiro de uma única edição de Copa do Mundo, com incríveis 13 gols em 6 jogos -, Roger Piantoni e Robert Jonquet.

Comandados pelo ex-jogador Albert Batteux, a França dispunha de uma defesa fraca, mas um ataque poderosíssimo. Apostando em fazer mais gols do que levava, os franceses marcaram inacreditáveis 24 gols no torneio todo, em apenas 6 partidas. Kopa marcaria três vezes, e por conta de suas exuberantes atuações, foi eleito um dos onze jogadores do time da Copa do Mundo.

Em 1959, retornou ao Stade Reims, onde passaria mais oito temporadas, e encerraria sua carreira. Formaria uma formidável parceria com seus colegas de Seleção, Fontaine e Piantoni, ajudando o clube a conquistar mais dois Campeonatos Franceses, em 1960 e 1962. Em 1966, já no fim de sua carreira, ajudaria a reerguer o Reims da Segunda Divisão, conquistando o título do torneio.

Na sua segunda passagem no Stade Reims, jogou mais 244 vezes, marcando 36 vezes. Terminou a sua carreira no ano de 1967, aos 36 anos de idade.

Kopa fez parte de duas equipes da França em Copas do Mundo, nas edições de 1954 e 1958. Pelo selecionado francês, disputou ao todo 45 partidas, e mandou 18 vezes a bola para o fundo das redes adversárias.

Por causa de sua categoria, foi apelidado carinhosamente pela imprensa francesa de "Napoleão". Kopa era veloz, ágil, um driblador nato. Possuía também grandiosa habilidade, capaz de fazer grandes assistências e dar passes inesperados. Ainda, era um especialista em bola parada, como cobranças de falta e de pênalti.

Um jogador elegante, dava a impressão que tinha todas as partidas dominadas na sua mão. Sabia o momento de segurar o jogo, quando o seu time ganhava, ou de acelerar o ritmo, quando o resultado não estava satisfatório. Era um verdadeiro maestro dentro de campo.

Foi eleito pela France Football o terceiro maior jogador da história do seu país, enquanto que pela IFFHS, foi eleito o segundo maior jogador da história da França. Em 2004, foi eleito pela FIFA um dos 125 maiores jogadores vivos da história.

Também, foi homenageado com a honraria de Cavalheiro da Legião de Honra da França, em 1970, o primeiro jogador de Futebol a ser agraciado com tal condecoração. Em 2008, foi "promovido" a Oficial da Legião de Honra.

É realmente uma pena que não pudemos ter visto um craque de tamanho talento desfilar pelos gramados com sua elegância e técnica. Kopa certamente está na memória de todos aqueles que puderam desfrutar do prazer de vê-lo jogar Futebol.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Promessas do Futebol Mundial: Paul Pogba

A promessa de hoje é um meia moderno. Alto, forte, marcador, armador, finalizador, líder nato. Trata-se do jovem francês Paul Pogba.

Pogba nasceu em Lagny-sur-Marne, na França, no dia 15 de março de 1993. Filho de guineenses, faz parte de uma família de jogadores, com seus irmãos mais velhos e gêmeos, Florentin e Mathias atuando profissionalmente na França e na Inglaterra, respectivamente.

Paul começou sua carreira com singelos seis anos de idade, no Roissy-en-Brie, onde já mostrava sua veia de capitão, capitaneando a equipe sub-13 do time. Transferiu-se para o Torcy, onde passou por uma temporada, para depois subir de nível, indo para um clube bem maior, o Le Havre.

No Le Havre, passou a chamar a atenção dos grandes clubes europeus, com grandes exibições e jogos que deram indícios de uma grande carreira por vir. O Manchester United expressou interesse em Pogba, mas não conseguiu comprar o jogador por meios legais.

Em 2009, Paul Pogba se transferiu do Le Havre para as categorias de base do Manchester United, numa manobra um tanto quanto polêmica. O clube francês acusou o Manchester United de pirataria, aliciando o jogador e sua família para uma transferência unilateral, sem qualquer anuência de seu antigo clube. De qualquer forma, Pogba seguiu em frente, e foi para Manchester.

No Manchester United, Pogba causou impacto imediato. Na sua primeira temporada na equipe sub-18, foi titular em 19 partidas, marcando 7 gols, um número alto para um meio-campista.

Na temporada 2010-11, continuou com sua boa forma, jogando os primeiros três meses ainda nas categorias de base. Foi promovido por Sir Alex Ferguson para o time reserva, estreando contra o Bolton Wanderers. Na Copa FA de Juniores, marcou um gol impressionante, um chutaço de fora da área, numa vitória por 3 a 2 contra o Portsmouth. Chegou a ganhar um número na camisa na equipe principal, o 42, mas não chegou a fazer exibições.

Para o início da temporada 2011-12, Ferguson declarou que seriam dadas mais chances para o jovem francês, pois segundo ele "temos que dar a ele a oportunidade de jogar no time principal, e ele tem uma grande habilidade". Estreou em um jogo da Copa da Liga inglesa, contra o Leeds United, jogando mais duas vezes no mesmo torneio. Na Premier League, atuou mais três vezes, estreando contra o Stoke City, além de uma exibição em uma derrota de 2 a 1 para o Athletic Bilbao, na UEFA Europa League.

No início da temporada 2012-13, Pogba não renovou contrato com o Manchester United, assinando com a Juventus, com quem já havia conversado há um longo período. Recebeu a camisa número 6 da equipe principal, e já estreou em um amistoso contra o Benfica, em Gênova, substituindo o grande Andrea Pirlo.

Em nível internacional, Pogba foi capitão e atuante em todas as divisões das categorias de base do seu país, a França, jogando em 45 oportunidades, e marcou 8 gols.

Paul Pogba é um meia alto, de grande força física e espírito de liderança. Além das características psicológicas e físicas, é um jogador de muita habilidade e muita criatividade, e capaz de exercer uma marcação muito eficaz sobre os meias e atacantes adversários. Tem um chute muito bom de fora da área, além de ser um jogador com faro de gol e capaz de jogadas espetaculares.

Seu estilo de jogo e porte físico já causa comparações com um dos maiores meias da história do Futebol francês, Patrick Vieira.

Na Juventus, Pogba poderá se tornar um meia mais maduro do que já é, apesar dos seus meros 19 anos atualmente. Aclimatado ao Futebol mais físico e marcado da Itália, Paul Pogba poderá render grandes frutos tanto para seu clube quanto para a Seleção da França.

O jovem francês é, certamente, um jogador que merece ser observado para o futuro.


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Craques que Nasceram no País Errado: Kazuyoshi Miura

O Craque que nasceu no país errado de hoje foi a primeira estrela do Futebol de seu país. Um artilheiro nato, de personalidade, excêntrico, uma figuraça. Conhecido carinhosamente pelo mundo todo pelo seu apelido diminutivo, Kazu, o jogador homenageado é Kazuyoshi Miura.

Kazu nasceu na cidade de Shizuoka, no Japão, em 26 de fevereiro de 1967. Um jogador destacado desde cedo, na sua escola, a Shizuoka Gakuen High School, Miura surpreendia aqueles que o assistiam jogar, por conta de sua capacidade de frente para a goleira.

Mais uma vez surpreendendo a todos, em 1982, ao terminar o ensino médio, largou tudo para ir tentar sua carreira no Brasil! Como surpresa maior, o Juventus de São Paulo contratou o jovem japonês para as suas categorias de base. Manteve-se na Rua Javari até 1986, quando se transferiu para o Santos, onde assinou seu primeiro contrato profissional.

Sua carreira profissional no Brasil ainda contou com passagens rápidas pelo Palmeiras, Matsubara, CRB, XV de Jaú, Coritiba - onde marcou 2 gols no Campeonato Brasileiro - e Santos novamente - marcando mais 3 gols no Brasileirão.

Em 1990, Kazu retornou à sua terra natal, e foi contratado pelo Yomiuri FC, com status de estrela, por causa de sua passagem no Futebol brasileiro. Com um time que já continha craques consagrados japoneses, como o brasileiro naturalizado Ruy Ramos e Tsuyoshi Kitazawa, Kazu ajudaria o Yomiuri a conquistar as duas últimas temporadas da extinta Japan Soccer League. Miura marcaria, no total pelo Yomiuri, 15 gols em 56 partidas, uma média de gols relativamente boa para um jogador jovem.

Entretanto, em 1992, o Yomiuri se transformaria em Verdy Kawasaki, e Kazu se transformaria de um bom jogador para um artilheiro consagrado. Na temporada de transição, marcaria 12 gols em 14 partidas, entre partidas da Copa do Japão e outros jogos.

Miura se tornaria a grande estrela do Futebol japonês já na sua primeira temporada regular no Verdy, marcando 20 gols em 36 jogos, sendo um dos artilheiros da primeira edição da J-League. Além disso, foi eleito o MVP, jogador mais valioso, da primeira temporada da J-League. Marcou também cinco vezes em jogos da Copa do Japão e outros jogos.

Em 1994, sua média de gols aumentou, marcando 16 vezes em 22 partidas na liga, ajudando o Verdy a conquistar mais uma vez a J-League.

Na janela de transferências europeia, Kazuyoshi Miura foi contratado por empréstimo pelo Genoa, se tornando o primeiro jogador japonês a fazer parte de um clube italiano. Não teve uma passagem muito bem-sucedida em terras italianas, atuando 21 vezes e marcando um gol, justamente no derby de Gênova, contra a Sampdoria.

Voltou para o Verdy na temporada de 1995, marcando incríveis 20 gols em 23 jogos da J-League. Na temporada de 1996, foi o artilheiro da J-League, marcando 23 gols no campeonato, além de 7 gols em outras partidas. No ano de 1996, ajudou o Verdy a conquistar a Copa do Imperador

Nas temporadas 1997 e 1998, o Verdy Kawasaki estava com uma equipe muito fraca, e isso se refletiu na forma de Kazu, marcando apenas 12 gols nas duas temporadas, por conta de lesões também. Transferiu-se para o Croatia Zagreb - hoje Dinamo Zagreb - onde atuou em 12 partidas, não marcando nenhum gol, mas ajudando o Croatia a ganhar o campeonato nacional.

Voltou mais uma vez para o Japão, desta vez para atuar no Kyoto Purple Sanga, jogando por duas temporadas e marcando 24 gols em 51 partidas, incluindo vários golaços. Em 2001, se transferiu para o Vissel Kobe, onde fez sua última passagem em alto nível no Futebol. Atuou por cinco anos, marcando 29 gols em 127 partidas.

Ficou um ano no jovem time do Yokohama F.C., marcando 4 vezes em 16 partidas. Jogou 6 vezes pelo Sydney F.C., da Austrália, marcando 2 vezes em uma partida contra o Adelaide United. Voltou ainda para o Yokohama F.C., onde atua até hoje, com surpreendentes 45 anos de idade - o jogador mais velho em atividade na J-League - onde até então marcou 19 gols em 172 partidas, onde várias vezes veio do banco de reservas. Ajudou o Yokohama F.C. a vencer a segunda divisão da J-League em 2006.


Kazu era, no seu ápice, um centroavante guerreiro, rápido e com categoria, o típico matador. Marcava gols com ambos os pés, de dentro e fora da área, de falta, de pênalti, de cabeça... Enfim, um artilheiro completo. Possuía também boa técnica e ótima visão de jogo.

Dentre seus inúmeros prêmios, fez parte do selecionado da temporada da J-League por três vezes, em 1993, 1995 e 1996, foi o melhor jogador japonês do ano em 1992 e 1993, foi o melhor atleta profissional do país em 1993, e além disso, foi o melhor jogador da Ásia no ano de 1993.

Pela Seleção do Japão, Kazu atuou em 89 jogos, marcando 55 vezes, sendo até hoje um dos maiores marcadores da história dos Samurai Blue. Ajudou o Japão a conquistar dois títulos em 1992, a Copa da Ásia e a Dynasty Cup - um torneio de países do leste do continente asiático - sendo o melhor jogador do primeiro torneio.

Tivesse Kazu nascido 20 anos mais tarde, surgiria para o Futebol em uma geração de jogadores de seu país muito mais talentosa e taticamente amadurecida do que a qual ele fez parte. Na época, o Japão ainda engatinhava taticamente, e os jogadores apenas pensavam em atacar. Apesar de contar com outros craques, como Masakiyo Maezono, Takuya Takagi, Masami Ihara e Tsuyoshi Kitazawa, o Japão não conseguia deslanchar.

Hoje, em plena forma física e técnica, Kazuyoshi Miura seria um dos grandes artilheiros do Futebol mundial, e atuando numa Seleção do Japão muito melhor em todos os sentidos do que antigamente. Infelizmente, nunca saberemos o que poderia acontecer, apenas nos cabe apreciar os seus bons momentos de antigamente.



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Grandes Jogos: Itália x Alemanha Ocidental - 1970

O Grande Jogo do post de hoje é considerado até hoje um dos maiores jogos da história do Futebol Mundial, e o maior jogo da história de todas as edições da Copa do Mundo. Uma partida eletrizante entre dois times espetaculares, magníficos.

No dia 17 de junho de 1970, Itália e Alemanha Ocidental disputaram o chamado "Jogo do Século".

A Itália voltava a Copa do Mundo depois de uma participação vergonhosa em 1966, eliminada pela Coreia do Norte. Em 1970, a Azzurra contava com um esquadrão de grande categoria, com uma defesa forte e um ataque talentoso, agraciado por craques como o defensor Giacinto Facchetti, os meias Sandro Mazzola e Gianni Rivera, e os atacantes Roberto Boninsegna e Luigi Riva.

Já a Alemanha Ocidental vinha com uma geração em ascensão, depois da derrota polêmica na final de 1966. Jovens jogadores da edição anterior já estavam consagrados, juntamente com grandes jogadores mais velhos, criando um esquadrão equilibrado e sólido. Com um time recheado de craques, como o goleiro Sepp Maier, os defensores Berti Vogts e Karl-Heinz Schnellinger, os meias Franz Beckenbauer e Wolfgang Overath e os atacantes Uwe Seeler e Gerd Müller, os alemães eram fortes candidatos ao título.


Campanhas:

Na primeira fase, a Itália, costumeiramente, se classificou com um Futebol meramente suficiente. No Grupo 2, que compartilhava com Uruguai, Suécia e Israel, se classificou em primeiro lugar com míseros quatro pontos, uma vitória (na época, a vitória contabilizava 2 pontos apenas) e dois empates. Venceu a Suécia por 1 a 0 na estreia, com um gol de Domenghini, empatou a segunda partida, contra o Uruguai, em 0 a 0, e na última partida, mais uma vez, um 0 a 0, surpreendente, contra a fraca seleção de Israel.

Nas quartas-de-final, a Itália pegaria a seleção anfitriã, o México. Louco para fazer história, e embalado pela torcida, o México sairia na frente, com José González. Mas a Itália não deixaria barato, e mostraria sua superioridade, marcando quatro gols, com Guzmán (contra), Riva, duas vezes, e Rivera, respectivamente.

A Alemanha Ocidental, em contrapartida, teve um caminho mais tranquilo. Fazendo parte do Grupo 4, que ainda tinha o bom time do Peru, Bulgária e Marrocos, venceria suas três partidas, se classificando com 6 pontos em primeiro lugar.

Na estreia, bateria o Marrocos por 2 a 1, após começarem perdendo, com gols de Seeler e Müller, respectivamente. No segundo jogo, começaram perdendo mais uma vez, mas liquidaram a Bulgária por 5 a 2, com destaque para três gols do artilheiro Gerd Müller. Contra o Peru, mais uma atuação espetacular de Müller, que marcou três vezes novamente, em uma vitória de 3 a 1.

Contra a Inglaterra, nas quartas, jogariam uma partida espetacular, uma recuperação maravilhosa. Após estarem perdendo o jogo por 2 a 0, e os ingleses já cantando vitória, os alemães conseguiram uma virada impressionante. Beckenbauer marcaria um golaço aos 23 do segundo tempo, seguido aos 31 por um gol guerreiro de Seeler. Na prorrogação, surgiria a estrela de Gerd Müller mais uma vez, marcando 3 a 2 e virando a partida.


O Jogo:

Alemães e italianos se encontravam na semi-final da Copa do Mundo. O vencedor enfrentaria outro timaço, definido em outro jogo espetacular, Brasil e Uruguai. O Estádio Azteca, com mais de 102 mil pessoas, presenciaria um jogaço, digno de antologia.


A Itália estava escalada com: Albertosi; Burgnich, Facchetti, Cera, Rosato (Poletti/91'); Bertini, De Sisti; Domenghini (Rivera/46'), Riva e Boninsegna. O treinador era Ferruccio Valcareggi.

A Alemanha Ocidental vinha armada com: Maier; Vogts, Patzke (Held/66'), Schulz, Schnellinger; Beckenbauer, Overath; Grabowski, Seeler, Müller e Löhr (Libuda/52'). O treinador era Helmut Schön.

Uma forte chuva caíra no dia anterior à partida, transformando o até então excelente gramado do Estádio Azteca em um campo pesado, irregular, embarrado, não muito adequado para a prática do Futebol. Entretanto, isto não seria problema para ambos os times.

Aos 8 minutos de partida, Roberto Boninsegna, carregando a bola pelo lado direito de ataque, investiu pelo meio, e tentando tabelar com Riva, acabou recebendo da defesa alemã, e mandando um chutaço de pé esquerdo no canto de Sepp Maier, sem quaisquer chances de defesa. Estava marcado 1 a 0 para a Itália. E o placar se manteria assim por muito tempo.

A partir daí, a partida se tornaria quase um monólogo alemão de ataque contra a defesa italiana, buscando o empate a qualquer custo.

O gol italiano, defendido pelo ótimo goleiro Enrico Albertosi, parecia estar lacrado. Ótimas chances foram criadas e negadas pelo goleiro, com um chute de virada de Gerd Müller e um arremate de fora da área venenoso de pé esquerdo do ponta-direita Jürgen Grabowski.

A Itália teria uma chance com Luigi Riva, apesar de estar em impedimento, cabeceando forte para uma boa defesa de Sepp Maier.

No segundo tempo, o magistral meia Wolfgang Overath perderia uma chance claríssima, depois de uma jogada de Gerd Müller, roubando a bola do goleiro, passando para Grabowski, que driblou um zagueiro e tocou para o meio da área, encontrando o meia esquerda, que por sua vez mandou um foguete de encontro ao travessão de Albertosi.

Outra chance incrível seria perdida por Siegfried Held, que, depois de boa jogada de Overath, chutou para o gol com Albertosi batido, mas a bola seria tirada incrivelmente por Rosato. No rebote, Seeler sofreria pênalti, com a bola sobrando para Gerd Müller, que mandou de bico por cima do gol.


Num momento de heroísmo, que até hoje é lembrado como uma das atitudes mais corajosas da história do esporte, Franz Beckenbauer se transformaria em mito. Após sofrer uma falta dura, Beckenbauer fraturaria sua clavícula. Como a Alemanha Ocidental já havia feito suas substituições, Beckenbauer não poderia ser substituído. Com a força de vontade de um guerreiro, o alemão pediu para que seu braço fosse imobilizado ao corpo, voltando ao campo. Um ato digno de um verdadeiro herói.

Inspirados pela coragem de Beckenbauer, os alemães não desistiriam, e aos 45 minutos do segundo tempo, já entrando nos acréscimos, um cruzamento de Grabowski encontrou o lateral-esquerdo Karl-Heinz Schnellinger sozinho no meio da área, mandando a bola para o fundo das redes. Um empate heroico. Mas o melhor ainda estava por vir.

Com o empate em 1 a 1, o jogo teria que ser decidido na prorrogação. Mas não seria uma prorrogação qualquer. Seria talvez a prorrogação mais sensacional de todos os tempos, a única em uma Copa do Mundo em que foram marcados cinco gols ao total.

Aos quatro minutos do período suplementar, após um desentendimento incrível entre o reserva italiano Fabrizio Poletti e o arqueiro Albertosi, Gerd Müller chutaria prensado, mandando a bola de mansinho para o fundo do gol da Itália. Era a virada, 2 a 1.

Quatro minutos mais tarde, em uma falha de outro reserva, mas desta vez o alemão Siegfried Held, que não conseguiria cortar uma cobrança de falta, o zagueiro Tarcisio Burgnich chutaria tranquilamente para o gol de Maier. 2 a 2.

Aos quatorze minutos do tempo suplementar, a Itália viraria a partida novamente. Depois de jogada pelo lado esquerdo, Boninsegna cruzou para o elegantíssimo Luigi Riva, que, em um lance de rara categoria, driblaria o zagueiro alemão na entrada da área, chutando cruzado de esquerda sem chances para Sepp Maier, 3 a 2.

Os alemães, impávidos, não desistiriam mais uma vez. Ainda perderiam um gol com uma cabeçada de Uwe Seeler, defendida mais uma vez por Albertosi.

Entretanto, no lance imediatamente seguinte, aos cinco minutos do segundo tempo da prorrogação, depois de cruzamento pelo lado direito, Seeler, 1,67m de altura, subiu mais que toda a defesa italiana, cabeceando para a pequena área, encontrando o oportunista Gerd Müller, que cabeceou para o gol italiano, empatando em 3 a 3 a partida.

Sem deixar tempo para comemorações, os italianos dariam o golpe de misericórdia nos alemães. Na saída de bola, apenas um minuto após o último gol de Müller, Boninsegna receberia de Facchetti, e mais uma vez faria jogada pelo lado esquerdo, lançando para o meio da grande área alemã. A bola calmamente encontrou o grande Gianni Rivera, que entrara no segundo tempo, mandando de pé direito com categoria para o gol alemão. Era 4 a 3, placar fechado.

Os alemães não conseguiriam rebater um baque tão forte. O jogo terminou em 4 a 3, com todos os atletas exaustos pela intensidade da partida, pelo calor da Cidade do México e pelo campo pesado.

Terminava o jogo mais sensacional da história das Copas do Mundo. A partida está imortalizada até hoje no Estádio Azteca, onde se encontra uma placa, que homenageia os atletas que fizeram parte do "Jogo do Século".

A Alemanha Ocidental venceria o Uruguai na disputa do terceiro lugar por 1 a 0, em outro grande jogo. A Itália não teve a mesma sorte, perdendo na final para o sensacional selecionado do Brasil, por 4 a 1.

Mas todos certamente, e até hoje, sentem orgulho de dizer que assistiram ou fizeram parte do maior jogo já disputado em uma Copa do Mundo. Um jogo de encher os olhos. Simplesmente impossível adjetivar adequadamente.

Abaixo, o vídeo do jogo.

Bom proveito!















sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Grandes Times: A Era de Ouro do Parma


Para este post, contei com a ajuda do amigo Bruno Zuanazzi, torcedor do Parma, estreante e a partir de agora, participante ocasional deste blog e um verdadeiro apaixonado pelo Futebol, como eu.

Hoje, o time homenageado não é uma única equipe, mas sim, a era de um clube que enfrentou de igual para igual seus rivais tradicionais. Trata-se do Parma dos anos 90.

Por muitos anos, o Parma foi uma clube de menor expressão no futebol italiano. Fundado em 27 de Julho de 1913, e prestes a completar 100 anos de vida, o Parma sempre foi uma equipe que passava da Série C para a B, com algumas aparições na Série D italiana.

A partir do ano de 1990, começaria uma década de glórias para a equipe. Em 27 de maio do mesmo ano, sob o comando de Nevio Scala, o Parma conseguiu a sonhada promoção para a elite italiana, numa vitória de 2 a 0 sobre a rival Reggiana, gols de Alessandro Melli e Marco Osio.

Então, a poderosa empresa italiana Parmalat comprou grande parte das ações do clube, e com isso passou a investir pesado na contratação de jogadores. Logo, vieram os resultados, sendo que em sua primeira temporada na elite, o Parma terminou a temporada em sexto lugar, conquistando uma vaga para a Copa da UEFA. O time era liderado pelo craque sueco Thomas Brolin, além de contar com a velocidade do jovem colombiano Faustino Asprilla e a segurança do grande Taffarel debaixo das traves.

O primeiro grande título do clube veio na temporada 1991-92. Com a manutenção da base da equipe, o Parma quase repetiu o feito da temporada anterior, terminando em 7º no Primeira Divisão, com o mesmo número de pontos da temporada anterior, e conquistando a primeira Coppa Italia de sua história, em um resultado agregado de 2 a 1 sobre a Juventus, depois de dois jogos.

A temporada 1992-93 chegou, e apesar de o Parma não ter feito muitas contratações de expressão, terminou o campeonato em uma incrível terceira colocação, atrás somente de Milan e Inter de Milão, e conquistando o seu primeiro título internacional, a extinta UEFA Cup Winners’ Cup – a Recopa da Europa. Neste torneio, enfrentou equipes como Boavista, Sparta Praga e Atlético de Madrid, vencendo por 3 a 1 o Royal Antwerp, da Bélgica, na final.

Para a temporada 1993-94, com os reforços do zagueiro argentino Roberto Sensini e do craque italiano Gianfranco Zola, o Parma mostraria a todos a sua vontade de se tornar um clube vencedor. Infelizmente, o time encontrou vários problemas durante o campeonato, terminando em 5º lugar, duas posições abaixo da temporada anterior.

Porém, na mesma temporada, foi campeão da Supercopa da UEFA, batendo o poderoso Milan, que substituiu o campeão da UEFA Champions League, Olympique Marseille. Vitória milanesa em Parma por 1 a 0 e uma surpreendente vitória fora de casa para o Parma de 2 a 0.



Numa temporada inesquecível para o torcedor parmegiano, 1994-95, o Parma consegue ficar em segundo no campeonato, atrás apenas da sua maior rival da época, a Juventus. Numa temporada em que chegaram reforços como o zagueiro português Fernando Couto e o meia italiano Dino Baggio, além de serem vice-campeões da Itália, o Parma conquistou, em cima da própria Juventus, a Copa da UEFA.

No resultado agregado de 2 a 1, conquistou uma vitória de 1 a 0 em casa, no estádio Ennio Tardini, gol de Dino Baggio, e empate no San Siro por 1 a 1, com Gianluca Vialli marcando para a Juve, e novamente Dino Baggio marcando para o Parma. Era o primeiro grande título internacional que esta esquadra viria a conquistar, em cima de uma forte Juventus que era a grande base da Squadra Azzurra, vice-campeã do mundo em 1994.

Na temporada 1995-96, o Parma não conquistou nada, obtendo um modesto sexto lugar na Série A. Entretanto, a temporada ficou marcada como a estreia de uma futura geração campeã, contando com os talentosíssimos jovens Gianluigi Buffon, Fabio Cannavaro e Filippo Inzaghi no elenco, e também contando com a estrela búlgara Hristo Stoichkov. Ao final da temporada, o histórico treinador Nevio Scala foi substituído pelo ex-jogador do Parma, Carlo Ancelotti.

Com Ancelotti, em 1996-97, o time se reforçou com outros jovens de estro sensacional, como o lendário defensor francês Lilian Thuram, o meia croata Mario Stanić, os brasileiros Zé Maria e Amaral e o atacante Enrico Chiesa, contratado junto à Sampdoria. Porém, com a saída de Zola para o Chelsea, restou uma incógnita, sobre quem seria o centroavante desta equipe.

Eis que surgiria Hernán Crespo, um dos maiores ídolos da história do Parma, contratado muito jovem junto ao River Plate. Com uma que é considerada das melhores equipes da história do clube, o Parma consegue o vice-campeonato, disputado ponto a ponto com a Juventus, tendo encerrado o campeonato apenas dois pontos atrás da "Vecchia Signora".

A temporada 1997-98 foi bastante desanimadora para o torcedor. O Parma não conseguiu classificação para a Champions League, e terminou em sexto lugar no campeonato, apesar de ter uma equipe muito forte. Tal temporada tiraria o emprego do treinador Carlo Ancelotti, sendo substituído por Alberto Malesani.

Em seu primeiro ano, Malesani deu aos torcedores uma temporada inesquecível. Com um time muito forte, com o grande goleiro Buffon; Thuram, Cannavaro, Sensini e Antonio Benarrivo na defesa; Diego Fuser, Dino Baggio, o jovem Stefano Fiore e o argentino Juan Sebastián Verón no meio de campo; e no ataque, a dupla Chiesa e Crespo, o Parma conquistou pela segunda vez a Copa da UEFA, desta vez em cima do Olympique Marseille, vencendo por 3 a 0, gols de Crespo, Paolo Vanoli e Chiesa.

Além disso, conquistou a Coppa Italia em cima da fortíssima Fiorentina, que contava com Francesco Toldo, Rui Costa e Gabriel Batistuta. No Campeonato Italiano, porém, o grande desempenho não se repetiu, e o Parma terminou em 4º lugar, atrás de Milan, Lazio e Fiorentina.


Na temporada 1999-00, a qual pode ser considerada como o inicio do declínio dos Gialloblu, que tinham uma equipe igualmente forte, porém não contando mais com Chiesa, transferido para a Fiorentina. Surgiu espaço para o bom atacante Marco Di Vaio aparecer, além do artilheiro brasileiro Márcio Amoroso e o argentino Ariel Ortega. Entretanto, não repetiram as glórias da temporada passada, terminando o campeonato italiano na 5ª posição. Porém, veio uma conquista inédita, a Super Coppa da Itália, vencida sobre o Milan, 2 a 1 para o Parma, em pleno Estádio San Siro. Ao final da temporada, Crespo seria vendido à Lazio.

Na temporada 2000-01, o Parma não conseguiu mais lutar por titulo italiano ou europeu. Numa temporada que foi marcada pelas inúmeras trocas no comando técnico da equipe, o Parma terminou novamente em quinto lugar. Ao final da temporada, Buffon e Thuram, jogadores já consagrados na equipe, foram vendidos para a rival Juventus.

O ano de 2001-02 confirmou o declínio parmegiano, conquistando o seu ultimo titulo até então, a Coppa Italia sobre a Juventus. Neste ano, o parma obteve sua pior colocação na Série A após a promoção, um décimo lugar. No fim do ano, o zagueiro Fabio Cannavaro se despediu dos Gialloblu.

Com a falência da Parmalat, o Parma passou a sofrer para equilibrar suas contas, tendo que vender todo o resto da sua última geração vencedora, e apostando em jovens promessas, como Marco Marchionni, Alberto Gilardino, Daniele Bonera, e os ítalo-australianos Vincenzo Grella e Mark Bresciano.

Em meio à tamanhas dificuldades, foi impossível se manter na Série A, e na temporada 2007-08, o Parma foi rebaixado à Série B do Campeonato Italiano.

Por lá ficou uma temporada e hoje, o time que é presidido pelo empresário Tommaso Ghirardi está de volta à Série A, possuindo uma equipe mais modesta que antigamente, mas permitindo aos seus torcedores sonhar mais alto para o futuro.

Com a sua rica história na década de 90 e início de anos 2000, o Parma é ainda hoje o quarto time italiano com mais tradição em competições europeias, perdendo somente para Juventus, Milan e Inter.

Sobre a Era de Ouro do Parma, há uma curiosa história: a lenda de que o uniforme de listras horizontais amarelas e azuis, identidade do Parma nesta época, somente era horizontal para rivalizar com as equipes maiores, de listras verticais em seus fardamentos, as três equipes italianas acima mencionadas.



O Parma foi o clube que, nos anos 90, trouxe mais emoção ao Futebol na Itália. Ao rivalizar com os grandes e tradicionais clubes italianos, deu esperança de que uma nova potência estaria se consolidando na Bota. Até então, nenhuma geração de jogadores dos gialloblu ombreou qualquer equipe da Era de Ouro parmegiana.

Além de várias vitórias, o Parma mostrou ao mundo jogadores espetaculares, sensacionais, venerados e idolatrados até hoje, como os goleiros Taffarel e Gianluigi Buffon, os defensores Fabio Cannavaro, Lilian Thuram e Roberto Sensini, os meio-campistas Thomas Brolin, Hidetoshi Nakata, Juan Sebastián Verón, Ariel Ortega e os atacantes Faustino Asprilla, Hernán Crespo, Adrian Mutu, Gianfranco Zola e Hristo Stoichkov.

Mais do que um celeiro de craques, o Parma foi uma marca registrada da última grande fase técnica do Futebol mundial, os anos 90.






quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Grandes Treinadores: Vittorio Pozzo

O Grande Treinador do post de hoje é, simplesmente, o maior vitorioso da história de todas as Copas do Mundo, vencedor de duas edições em sequência com a Seleção da Itália. Um homem apelidado carinhosamente pelo seu povo de "Il Vecchio Maestro", o "Grande Maestro", Vittorio Pozzo.

Vittorio nasceu em Turim, em 2 de março de 1886. Proveniente de uma família de posses, estudou em Manchester, se tornando um anglófilo de carteirinha. Tornou-se jogador de Futebol, tendo uma carreira curta, com passagens pelo Grasshopper, da Suíça, e pelo Torino, tornando-se treinador no ano seguinte.

Estreou como treinador pelo selecionado italiano para as Olimpíadas de 1912, onde seu time foi eliminado na primeira rodada pela Finlândia. Foi demitido logo após o insucesso, voltando para sua cidade-natal e assumindo o seu último clube como jogador, o Torino, onde também não teve grandes resultados, apesar de ter ficado por quase dez anos no comando da equipe.

Passou também pelo Milan, entre os anos de 1924 e 1926. Depois disso, viria o seu grande período como técnico, tornando-se um dos maiores da história da Itália.

Em 1928, Vittorio Pozzo assumiria o cargo de treinador da Seleção da Itália, na condição de que não aceitaria dinheiro para exercer tal cargo. O seu primeiro sucesso como comandante da "Azzurra" foi na Copa Internacional Centro-Europeia de 1930, a antecessora da Eurocopa. Na partida final, a Itália bateria a forte Hungria por 5 a 0 em Budapeste, onde jamais os húngaros haviam perdido um jogo.

Pozzo é o responsável pela criação de, talvez, a formação tática que revolucionou por inteiro o Futebol: " Il Metodo", italiano para "O Método".

Inspirado na escola do Danúbio - Áustria, Hungria, Tchecoslováquia - Pozzo baseou o novo esquema tático no tradicional "2-3-5". Observando que os seus half-backs necessitavam de mais apoio à frente do campo para serem superiores ao meio-campo adversário, trouxe dois jogadores de ataque para trás, criando involuntariamente os meias atuais.

A alteração proporcionou um sistema defensivo muito mais sólido e forte, além da possibilidade de contra-ataques rápidos e efetivos, com mais opções no meio-campo. Permitiu, também, o avanço mais constante dos atacantes que jogavam pelas laterais com maior velocidade, os atuais pontas.


Com esta formação, se desenvolveriam inúmeras variações táticas no Futebol, a mais óbvia, o 4-3-3, bem como o 4-5-1, entre outras. Com esta formação, Pozzo criou posições até então inéditas no Futebol, os laterais, volantes, meias e pontas.

Alguns especialistas argumentam que Pep Guardiola, ex-treinador do monstruoso Barcelona dos últimos anos, utilizou uma variação modernizada de "Il Metodo", o que é bem plausível.

Voltando à carreira de Pozzo, utilizando o seu Método, o seu primeiro grande galardão foi a conquista da Copa do Mundo de 1934, sediada pela Itália, em meio ao período ditatorial do Duce Benito Mussolini. Em uma campanha controversa, muitas vezes questionada pelas possíveis intervenções do Duce nas escolhas de árbitros, suborno de rivais, etc., Pozzo seria campeão.

Depois de um massacre de 7 a 1 contra os Estados Unidos na primeira fase - o formato do torneio era de mata-mata - um confronto dificílimo contra a forte Espanha. No jogo, resultado de 1 a 1, com um gol italiano irregular, uma falta clara no arqueiro Ricardo Zamora, o melhor do mundo na época. Com o empate, se jogaria uma partida suplementar no dia seguinte.

No segundo jogo, vitória de 1 a 0, gol do monstro sagrado Giuseppe Meazza, embora tenha sido falta novamente no arqueiro, desta vez J.J. Nogues. Passariam para enfrentar a grande seleção da Áustria, um dos maiores times do mundo na época, o "Wunderteam", Time dos Sonhos em alemão.

Para sorte de Pozzo, uma chuva torrencial acabou com o gramado do Estádio Giovanni Berta, em Florença - atual Artemio Franchi - impedindo os austríacos de desenvolverem seu jogo de toque de bola. Numa partida basicamente formada por chutões, venceu a mais forte fisicamente Itália, por 1 a 0, com um gol do argentino Enrico Guaita, um dos estrangeiros naturalizados italianos especialmente para a Copa - os chamados Oriundi.




Na Final, outro duro embate, contra a talentosa seleção da Tchecoslováquia, dos artilheiros Oldrich Nejedlý e Antonín Puč, do sensacional meio-campista Štefan Čambal e do magistral goleiro František Plánička, precursor das luvas de goleiro.

Puč marcaria 1 a 0 para os tchecoslovacos, aos 27 do segundo tempo. Entretanto, dez minutos depois, Raimundo Orsi - outro argentino naturalizado italiano - empataria a peleja. Na prorrogação, o centro-avante Angelo Schiavio viraria o jogo para a Itália, impedindo a reação tchecoslovaca e dando o título da Copa do Mundo de 1934 para a Itália. Vittorio Pozzo e seus comandados escapariam da morte neste momento, tendo sido compelidos pelo Duce Mussolini a "Vencer ou Morrer"!

A Azzurra se sagraria campeã mundial pela primeira vez, com um time de grandes lendas, como o imortal Giuseppe Meazza, maior craque da história da Itália, o goleiro e capitão Giampiero Combi, os grandes atacantes Angelo Schiavio e Giovanni Ferrari, e os Oriundi Luis Monti, Enrico Guaita e Raimundo Orsi, platinos de nascença, mas italianos de coração.


Em 1936, ainda, no meio-termo entre as Copas de 1934 e 1938, Pozzo conquistaria a medalha de ouro no Futebol das Olimpíadas de Berlim, com um time que contava com os futuros campeões e dupla de zaga fortíssima, Alfredo Foni e Pietro Rava, além do engraçadíssimo mas matador centroavante Annibale Frossi, o artilheiro do time e do torneio, totalmente míope, jogando com gigantes óculos e uma faixa branca na testa.

Em 1938, com uma seleção renovada, a Itália e Pozzo disputariam a Copa do Mundo na França. A Segunda Guerra Mundial estava chegando, e o clima era pesadíssimo. Os italianos, por conta da polêmica da Copa anterior, eram os alvos dos adversários.

Mas Vittorio Pozzo, com seu espírito de liderança e técnicas de motivação, levou seus comandados mais uma vez à glória. Contando com jovens talentosos, como os zagueiros Foni e Rava, os atacantes Silvio Piola e Gino Colaussi e o meio-campista Ugo Locatelli, bem como a liderança do craque Giuseppe Meazza, agora capitão e meia, não perderia a chance de uma dobradinha.

E começaram com uma partida duríssima, contra a surpreendente Noruega. Venceriam apenas na prorrogação, por 2 a 1, com um gol salvador de Piola. Nas quartas-de-final, jogo duríssimo contra a anfitriã, França, mas sobressaiu a técnica italiana, vencendo por 3 a 1, gols de Colaussi e Piola duas vezes.

Na semi-final, uma partidaça contra a Seleção Brasileira. Por um erro de planejamento, os brasileiros pouparam o monstro Leônidas da Silva, achando que seria uma partida tranquila. Acabaram vencedores os italianos, numa bela partida, por 2 a 1, gols de Colaussi e Meazza, de pênalti, com o seu calção desamarrado!


Os italianos enfrentariam a Hungria na partida decisiva. Em um jogo duro, mas sem muitos sustos, os italianos sobrepujariam os magiares por 4 a 2, gols de Colaussi e Piola, duas vezes cada um. Desta vez, Giuseppe Meazza levantaria a taça Jules Rimet, consagrando Vittorio Pozzo, o único treinador a vencer duas vezes a Copa do Mundo, e a Itália, como a primeira seleção a conquistar duas vezes seguidas a Copa do Mundo.

Pozzo remanesceria como treinador da Azzurra até 1948, quando encerraria sua carreira, para se tornar jornalista e comentarista de Futebol. Faleceria em 1968, em Ponderano, na Itália, após ter assistido o título do seu país na Eurocopa - na época, Campeonato Europeu de Futebol.

Vittorio Pozzo, além de ter sido um revolucionário na parte tática e motivacional no Futebol, também foi um grande vencedor. Corajoso, assumiu o comando dos italianos em meio à ameaças de morte e vergonha nacional, foi capaz de liderar a Azzurra a dois títulos mundiais em seu comando, além de uma medalha de ouro olímpica, se consolidando na galeria dos maiores treinadores de todos os tempos.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Grandes Uniformes: Copa do Mundo (Parte 3)

Continuando a série dos Grandes Uniformes das Copas do Mundo, hoje é a vez da edição do ano de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão.

Vamos aos fardamentos escolhidos:


Coreia do Sul - Home:

Um dos países-sede da Copa de 2002, a Coreia do Sul foi a uma das grandes surpresas do torneio, em conjunto com a Turquia, mostrando ao mundo jogadores como Park Ji-Sung, Ahn Jung-Hwan, Lee Young-Pyo, entre outros.

O uniforme da equipe é usado nos moldes de 2002 até hoje, um fardamento mais marcante do que belo, com uma camisa rosa-choque e calção azul-escuro. Entretanto, o uniforme serviu para destacar ainda mais a guerreira e surpreendente equipe coreana.


França - Home:

A defensora do título de Campeã do Mundo no torneio de 2002, a França fez uma das piores campanhas de toda a sua história futebolística, não passando pela primeira fase de grupos.

Pelo menos, o uniforme produzido pela Adidas foi belíssimo, mantendo a tradição dos uniformes simples da França. Com a camisa azul com pequenos tons em vermelho, calções brancos e meias vermelhas, representaram seu país com classe, pelo menos quanto ao fardamento.


Brasil - Home:

Em 2002, a Seleção Canarinho voltou ao topo do mundo, com uma campanha maravilhosa na Copa, sete vitórias em sete partidas, e com um time recheado de craques, como Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Roberto Carlos, Cafu, Lúcio...

No uniforme, a Nike caprichou, com um uniforme marcante e inesquecível para todos, a clássica combinação de camisa amarela com detalhes verdes, calção azul e meias brancas.


Bélgica - Home:

A Bélgica viria para a Copa do Mundo de 2002 com um bom time e um belo uniforme. Presença constante no torneio desde a Copa do Mundo de 1986, continuavam mostrando seu bom Futebol e sua boa safra de jogadores.

O time que chegou nas oitavas-de-final usou um uniforme de cores marcantes e chamativas, fiéis à bandeira belga, mas que ficou muito legal. Camisas, calções e meias em tom de vermelho forte, com detalhes pretos e amarelos.


Senegal - Home:

Participando pela primeira vez em uma Copa do Mundo, a seleção senegalesa chocou o planeta ao derrotar a França na partida inicial do torneio. Com um time talentoso, Senegal chegaria às quartas-de-final, onde perderia para outra grande surpresa, a Turquia.

Com um uniforme de camisa branca, com detalhes nas cores da bandeira senegalesa, verde, amarelo e vermelho, calções verdes e meias brancas, Senegal marcou nesta Copa do Mundo.


Dinamarca - Home:

Outra seleção que foi bem na Copa do Mundo, tanto no uniforme quanto na campanha, foi a Dinamarca, que chegou até às oitavas-de-final, agora já sem os irmãos Laudrup e o goleiro Peter Schmeichel.

Com um uniforme simples, mas elegante, de camisas vermelhas-escuro, calções brancos e meias vermelhas-escuro, a Dinamarca foi muito bem no campo.


Argentina - Home:

Talvez a grande decepção da Copa do Mundo de 2002, a Argentina parou na primeira fase, no chamado "Grupo da Morte", com um time muito forte, recheado de craques, como Juan Sebastián Verón, Gabriel Batistuta, Javier Zanetti, entre outros.

No uniforme, pelo menos, não fizeram vergonha, tanto no Home quanto no Away. O uniforme tradicional ficou belíssimo, camisa listrada de cores azul celeste e branca, calções negros e meia branca.


Nigéria - Home:

Minha última escolha foi o uniforme mais controverso do torneio. Uma camisa de cor chocante, para um time marcante por seu estilo de jogo.

Infelizmente, a Nigéria não foi bem na Copa, sendo eliminada junto com a Argentina na primeira fase, no "Grupo da Morte". O uniforme era todo verde claro, com detalhes brancos. A Nigéria não marcou pelo seu Futebol, mas sim, pelo seu excêntrico fardamento!

Na próxima, os uniformes mais legais da Copa de 1998! Até lá!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Craques que Não Assistimos Jogar: Matthias Sindelar

O jogador homenageado do post de hoje é um dos maiores craques da história do Futebol antes da Segunda Guerra Mundial. Um homem que fez parte de um dos maiores times europeus de todos os tempos, e ajudou a revolucionar o jeito de se jogar bola: Matthias Sindelar.

Sindelar nasceu em Kozlov, na época, Áustria-Hungria, hoje República Tcheca, em 10 de fevereiro de 1903. De uma família muito pobre, que se mudou para Viena em 1905, surgiu a paixão de se jogar Futebol, que Matthias praticava nas ruas da cidade.

Aos 15 anos de idade, Matthias se juntou ao Hertha Vienna, jogando no clube até os 21 anos, quando foi transferido para o FK Austria Vienna, clube que defendeu até o fim de sua vida.

Tornou-se um dos melhores jogadores do Futebol europeu do pré-guerra, conhecido por marcar muitos gols. Ajudou o Austria Vienna a conquistar diversos títulos: cinco Copas da Áustria, em 1925, 1926, 1933, 1935 e 1936, um Campeonato Austríaco em 1926 e duas Mitropa Cup - um torneio entre clubes do centro europeu - em 1933 e 1936.

Matthias também foi parte do "Wunderteam", "Time dos Sonhos" na língua alemã. Se tratava do selecionado internacional da Áustria, formado pela maior geração futebolista do país. Comandados por Hugo Meisl, grandes jogadores como Josef Smistik, Walter Nausch, Stefan Skoumal, Hans Mock e, claro, Matthias Sindelar, colocaram a Áustria no mapa do Futebol mundial.

Com um jeito envolvente de se portar em campo, tocando a bola inteligentemente, com movimentação e ocupação territorial articulada, os austríacos ganharam muitos apreciadores e a admiração do planeta. Entre abril de 1931 e dezembro de 1932, o "Wunderteam" esteve invicto, massacrando quase todos os seus adversários. Matthias Sindelar era o capitão desta equipe.

Sindelar era um atacante completo. Muito criativo, armava jogadas com maestria, marcava muitos gols e era um driblador nato. Sua precisão nos passes, na finalização e nos dribles e tornaram uma grande estrela. Marcou 27 gols em 43 partidas pela Áustria.

Um cracaço, capaz de jogadas estonteantes, foi um dos jogadores mais influentes do seu tempo. Muitos falavam que as plateias iam aos jogos não só para assistirem Sindelar jogar, mas também para aprender um pouco mais sobre a essência e sobre como se jogava Futebol inteligentemente.

Ganhou o apelido singelo de "Der Papierene", o "Homem de Papel", pois era um jogador magro, de estrutura física muito frágil, mas também um craque capaz de transpirar elegância e categoria jogando Futebol.

Após a anexação da Áustria pela Alemanha, Sindelar se negou veementemente a defender as cores do Terceiro Reich. Em uma partida, a despedida da Seleção austríaca, disputada contra a mesma Alemanha que anexara seu país, marcou um gol, comemorando com provocações aos enviados nazistas que assistiam a partida.

Foi encontrado morto com sua esposa em seu apartamento, em Viena. O laudo pericial feito com os corpos declarou que a causa mortis foi intoxicação por monóxido de carbono, uma causa até hoje não esclarecida.

É uma pena não termos praticamente nenhum registro deste craque imortal do Futebol. Sindelar foi um dos homens que viam o Futebol anos na frente das outras pessoas, ajudando-o a transformar o esporte mais popular do Mundo no mais belo espetáculo que existe.

Fica então esta singela homenagem ao monstro sagrado do Futebol, que parecia ser feito de papel, frágil, mas que superava até o mais robusto defensor com sua grandiosa técnica.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Promessas do Futebol Mundial: Ryo Miyaichi

Ryo Miyaichi nasceu em Aichi, no Japão, em 14 de dezembro de 1992. Seu pai, Tatsuya, é um ex-jogador de beisebol e treinador, e seu irmão Tsuyoshi também é um jogador de Futebol.

Começou a jogar Futebol no Sylphid FC, um time amador. No seu colégio, a Chukyodai Chukyo High School, é que iniciou a sua verdadeira carreira.

Na temporada 2010, Ryo levou o seu time para a fase eliminatória do Campeonato Japonês de Escolas. Entretanto, seu time foi eliminado logo na primeira fase. A habilidade e velocidade de Ryo, entretanto, não passariam despercebidas, tendo a partida sido transmitida em rede nacional.

No verão da mesma temporada, Miyaichi foi convocado pelo Arsenal para fazer um teste. Impressionado com a habilidade do jovem japonês, o treinador Arsène Wenger lhe ofereceu um contrato profissional com o clube. Juntou-se aos Gunners em 31 de janeiro de 2011, para deleite do treinador francês.

Já é notório o hábito dos clubes ingleses de emprestar seus jovens jogadores para adquirirem ritmo de jogo e experiência, enquanto não têm espaço no plantel principal. Ryo não era exceção. Ao assinar com o Arsenal, foi emprestado ao Feyenoord, da Holanda.

Em Roterdã, Miyachi, aos poucos, floresceu para o cenário europeu. Já na sua estreia, contra o Vitesse, jogou a partida toda e foi eleito o melhor jogador em campo. Nas partidas seguintes, contribuiu com três gols e cinco assistências, totalizando apenas onze jogos.

De uma forma engraçada, a imprensa holandesa passou a apelidar Ryo de "Ryodinho", uma carinhosa alusão ao craque Ronaldinho, por conta da sua habilidade. Também, passou a ser considerado como o equivalente japonês a Lionel Messi.

No início da temporada 2011-12, voltou ao Arsenal, onde novamente impressionou nos treinos, e foi incluído no grupo que fez a pré-temporada na Ásia. Jogou algumas partidas na turnê, além de alguns jogos em torneios menores pela equipe principal e reserva.

Mais uma vez, foi emprestado, desta vez para mais perto, no Bolton Wanderers. Impressionado, o treinador Owen Coyle estava otimista quanto ao futuro do jovem craque japonês no clube. Miyaichi disputou 14 jogos na Premier League, além de um amistoso contra o Preston North End - onde marcou o único gol do jogo - e dois jogos na FA Cup, marcando um gol contra o Millwall. Foi eleito pelos torcedores, logo após sua estreia, o melhor jogador do clube no mês de fevereiro.

Para a temporada 2012-13, foi emprestado para o Wigan Athletic, da Premier League.

Miyaichi é um dos jogadores mais velozes do Mundo. Um ponteiro extremamente ágil, dribla com velocidade e é inteligente nos passes. Além disso, tem categoria e calma na frente do gol, o que, combinado com sua velocidade, tem tudo para movimentar muitas vezes o placar da partida.

Tem grande visão de jogo e raciocínio rápido. É guerreiro e tem um grande espírito de equipe, característica inerente aos atletas de seu país. Não desiste da bola nunca!

Como é jovem ainda, com apenas 20 anos de idade, tem muito tempo para amadurecer e aprimorar ainda mais seu Futebol. Com total certeza, Ryo Miyaichi irá brilhar nos campos do futuro por muito tempo.