segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Grandes Jogos: Itália x Alemanha Ocidental - 1970

O Grande Jogo do post de hoje é considerado até hoje um dos maiores jogos da história do Futebol Mundial, e o maior jogo da história de todas as edições da Copa do Mundo. Uma partida eletrizante entre dois times espetaculares, magníficos.

No dia 17 de junho de 1970, Itália e Alemanha Ocidental disputaram o chamado "Jogo do Século".

A Itália voltava a Copa do Mundo depois de uma participação vergonhosa em 1966, eliminada pela Coreia do Norte. Em 1970, a Azzurra contava com um esquadrão de grande categoria, com uma defesa forte e um ataque talentoso, agraciado por craques como o defensor Giacinto Facchetti, os meias Sandro Mazzola e Gianni Rivera, e os atacantes Roberto Boninsegna e Luigi Riva.

Já a Alemanha Ocidental vinha com uma geração em ascensão, depois da derrota polêmica na final de 1966. Jovens jogadores da edição anterior já estavam consagrados, juntamente com grandes jogadores mais velhos, criando um esquadrão equilibrado e sólido. Com um time recheado de craques, como o goleiro Sepp Maier, os defensores Berti Vogts e Karl-Heinz Schnellinger, os meias Franz Beckenbauer e Wolfgang Overath e os atacantes Uwe Seeler e Gerd Müller, os alemães eram fortes candidatos ao título.


Campanhas:

Na primeira fase, a Itália, costumeiramente, se classificou com um Futebol meramente suficiente. No Grupo 2, que compartilhava com Uruguai, Suécia e Israel, se classificou em primeiro lugar com míseros quatro pontos, uma vitória (na época, a vitória contabilizava 2 pontos apenas) e dois empates. Venceu a Suécia por 1 a 0 na estreia, com um gol de Domenghini, empatou a segunda partida, contra o Uruguai, em 0 a 0, e na última partida, mais uma vez, um 0 a 0, surpreendente, contra a fraca seleção de Israel.

Nas quartas-de-final, a Itália pegaria a seleção anfitriã, o México. Louco para fazer história, e embalado pela torcida, o México sairia na frente, com José González. Mas a Itália não deixaria barato, e mostraria sua superioridade, marcando quatro gols, com Guzmán (contra), Riva, duas vezes, e Rivera, respectivamente.

A Alemanha Ocidental, em contrapartida, teve um caminho mais tranquilo. Fazendo parte do Grupo 4, que ainda tinha o bom time do Peru, Bulgária e Marrocos, venceria suas três partidas, se classificando com 6 pontos em primeiro lugar.

Na estreia, bateria o Marrocos por 2 a 1, após começarem perdendo, com gols de Seeler e Müller, respectivamente. No segundo jogo, começaram perdendo mais uma vez, mas liquidaram a Bulgária por 5 a 2, com destaque para três gols do artilheiro Gerd Müller. Contra o Peru, mais uma atuação espetacular de Müller, que marcou três vezes novamente, em uma vitória de 3 a 1.

Contra a Inglaterra, nas quartas, jogariam uma partida espetacular, uma recuperação maravilhosa. Após estarem perdendo o jogo por 2 a 0, e os ingleses já cantando vitória, os alemães conseguiram uma virada impressionante. Beckenbauer marcaria um golaço aos 23 do segundo tempo, seguido aos 31 por um gol guerreiro de Seeler. Na prorrogação, surgiria a estrela de Gerd Müller mais uma vez, marcando 3 a 2 e virando a partida.


O Jogo:

Alemães e italianos se encontravam na semi-final da Copa do Mundo. O vencedor enfrentaria outro timaço, definido em outro jogo espetacular, Brasil e Uruguai. O Estádio Azteca, com mais de 102 mil pessoas, presenciaria um jogaço, digno de antologia.


A Itália estava escalada com: Albertosi; Burgnich, Facchetti, Cera, Rosato (Poletti/91'); Bertini, De Sisti; Domenghini (Rivera/46'), Riva e Boninsegna. O treinador era Ferruccio Valcareggi.

A Alemanha Ocidental vinha armada com: Maier; Vogts, Patzke (Held/66'), Schulz, Schnellinger; Beckenbauer, Overath; Grabowski, Seeler, Müller e Löhr (Libuda/52'). O treinador era Helmut Schön.

Uma forte chuva caíra no dia anterior à partida, transformando o até então excelente gramado do Estádio Azteca em um campo pesado, irregular, embarrado, não muito adequado para a prática do Futebol. Entretanto, isto não seria problema para ambos os times.

Aos 8 minutos de partida, Roberto Boninsegna, carregando a bola pelo lado direito de ataque, investiu pelo meio, e tentando tabelar com Riva, acabou recebendo da defesa alemã, e mandando um chutaço de pé esquerdo no canto de Sepp Maier, sem quaisquer chances de defesa. Estava marcado 1 a 0 para a Itália. E o placar se manteria assim por muito tempo.

A partir daí, a partida se tornaria quase um monólogo alemão de ataque contra a defesa italiana, buscando o empate a qualquer custo.

O gol italiano, defendido pelo ótimo goleiro Enrico Albertosi, parecia estar lacrado. Ótimas chances foram criadas e negadas pelo goleiro, com um chute de virada de Gerd Müller e um arremate de fora da área venenoso de pé esquerdo do ponta-direita Jürgen Grabowski.

A Itália teria uma chance com Luigi Riva, apesar de estar em impedimento, cabeceando forte para uma boa defesa de Sepp Maier.

No segundo tempo, o magistral meia Wolfgang Overath perderia uma chance claríssima, depois de uma jogada de Gerd Müller, roubando a bola do goleiro, passando para Grabowski, que driblou um zagueiro e tocou para o meio da área, encontrando o meia esquerda, que por sua vez mandou um foguete de encontro ao travessão de Albertosi.

Outra chance incrível seria perdida por Siegfried Held, que, depois de boa jogada de Overath, chutou para o gol com Albertosi batido, mas a bola seria tirada incrivelmente por Rosato. No rebote, Seeler sofreria pênalti, com a bola sobrando para Gerd Müller, que mandou de bico por cima do gol.


Num momento de heroísmo, que até hoje é lembrado como uma das atitudes mais corajosas da história do esporte, Franz Beckenbauer se transformaria em mito. Após sofrer uma falta dura, Beckenbauer fraturaria sua clavícula. Como a Alemanha Ocidental já havia feito suas substituições, Beckenbauer não poderia ser substituído. Com a força de vontade de um guerreiro, o alemão pediu para que seu braço fosse imobilizado ao corpo, voltando ao campo. Um ato digno de um verdadeiro herói.

Inspirados pela coragem de Beckenbauer, os alemães não desistiriam, e aos 45 minutos do segundo tempo, já entrando nos acréscimos, um cruzamento de Grabowski encontrou o lateral-esquerdo Karl-Heinz Schnellinger sozinho no meio da área, mandando a bola para o fundo das redes. Um empate heroico. Mas o melhor ainda estava por vir.

Com o empate em 1 a 1, o jogo teria que ser decidido na prorrogação. Mas não seria uma prorrogação qualquer. Seria talvez a prorrogação mais sensacional de todos os tempos, a única em uma Copa do Mundo em que foram marcados cinco gols ao total.

Aos quatro minutos do período suplementar, após um desentendimento incrível entre o reserva italiano Fabrizio Poletti e o arqueiro Albertosi, Gerd Müller chutaria prensado, mandando a bola de mansinho para o fundo do gol da Itália. Era a virada, 2 a 1.

Quatro minutos mais tarde, em uma falha de outro reserva, mas desta vez o alemão Siegfried Held, que não conseguiria cortar uma cobrança de falta, o zagueiro Tarcisio Burgnich chutaria tranquilamente para o gol de Maier. 2 a 2.

Aos quatorze minutos do tempo suplementar, a Itália viraria a partida novamente. Depois de jogada pelo lado esquerdo, Boninsegna cruzou para o elegantíssimo Luigi Riva, que, em um lance de rara categoria, driblaria o zagueiro alemão na entrada da área, chutando cruzado de esquerda sem chances para Sepp Maier, 3 a 2.

Os alemães, impávidos, não desistiriam mais uma vez. Ainda perderiam um gol com uma cabeçada de Uwe Seeler, defendida mais uma vez por Albertosi.

Entretanto, no lance imediatamente seguinte, aos cinco minutos do segundo tempo da prorrogação, depois de cruzamento pelo lado direito, Seeler, 1,67m de altura, subiu mais que toda a defesa italiana, cabeceando para a pequena área, encontrando o oportunista Gerd Müller, que cabeceou para o gol italiano, empatando em 3 a 3 a partida.

Sem deixar tempo para comemorações, os italianos dariam o golpe de misericórdia nos alemães. Na saída de bola, apenas um minuto após o último gol de Müller, Boninsegna receberia de Facchetti, e mais uma vez faria jogada pelo lado esquerdo, lançando para o meio da grande área alemã. A bola calmamente encontrou o grande Gianni Rivera, que entrara no segundo tempo, mandando de pé direito com categoria para o gol alemão. Era 4 a 3, placar fechado.

Os alemães não conseguiriam rebater um baque tão forte. O jogo terminou em 4 a 3, com todos os atletas exaustos pela intensidade da partida, pelo calor da Cidade do México e pelo campo pesado.

Terminava o jogo mais sensacional da história das Copas do Mundo. A partida está imortalizada até hoje no Estádio Azteca, onde se encontra uma placa, que homenageia os atletas que fizeram parte do "Jogo do Século".

A Alemanha Ocidental venceria o Uruguai na disputa do terceiro lugar por 1 a 0, em outro grande jogo. A Itália não teve a mesma sorte, perdendo na final para o sensacional selecionado do Brasil, por 4 a 1.

Mas todos certamente, e até hoje, sentem orgulho de dizer que assistiram ou fizeram parte do maior jogo já disputado em uma Copa do Mundo. Um jogo de encher os olhos. Simplesmente impossível adjetivar adequadamente.

Abaixo, o vídeo do jogo.

Bom proveito!















sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Grandes Times: A Era de Ouro do Parma


Para este post, contei com a ajuda do amigo Bruno Zuanazzi, torcedor do Parma, estreante e a partir de agora, participante ocasional deste blog e um verdadeiro apaixonado pelo Futebol, como eu.

Hoje, o time homenageado não é uma única equipe, mas sim, a era de um clube que enfrentou de igual para igual seus rivais tradicionais. Trata-se do Parma dos anos 90.

Por muitos anos, o Parma foi uma clube de menor expressão no futebol italiano. Fundado em 27 de Julho de 1913, e prestes a completar 100 anos de vida, o Parma sempre foi uma equipe que passava da Série C para a B, com algumas aparições na Série D italiana.

A partir do ano de 1990, começaria uma década de glórias para a equipe. Em 27 de maio do mesmo ano, sob o comando de Nevio Scala, o Parma conseguiu a sonhada promoção para a elite italiana, numa vitória de 2 a 0 sobre a rival Reggiana, gols de Alessandro Melli e Marco Osio.

Então, a poderosa empresa italiana Parmalat comprou grande parte das ações do clube, e com isso passou a investir pesado na contratação de jogadores. Logo, vieram os resultados, sendo que em sua primeira temporada na elite, o Parma terminou a temporada em sexto lugar, conquistando uma vaga para a Copa da UEFA. O time era liderado pelo craque sueco Thomas Brolin, além de contar com a velocidade do jovem colombiano Faustino Asprilla e a segurança do grande Taffarel debaixo das traves.

O primeiro grande título do clube veio na temporada 1991-92. Com a manutenção da base da equipe, o Parma quase repetiu o feito da temporada anterior, terminando em 7º no Primeira Divisão, com o mesmo número de pontos da temporada anterior, e conquistando a primeira Coppa Italia de sua história, em um resultado agregado de 2 a 1 sobre a Juventus, depois de dois jogos.

A temporada 1992-93 chegou, e apesar de o Parma não ter feito muitas contratações de expressão, terminou o campeonato em uma incrível terceira colocação, atrás somente de Milan e Inter de Milão, e conquistando o seu primeiro título internacional, a extinta UEFA Cup Winners’ Cup – a Recopa da Europa. Neste torneio, enfrentou equipes como Boavista, Sparta Praga e Atlético de Madrid, vencendo por 3 a 1 o Royal Antwerp, da Bélgica, na final.

Para a temporada 1993-94, com os reforços do zagueiro argentino Roberto Sensini e do craque italiano Gianfranco Zola, o Parma mostraria a todos a sua vontade de se tornar um clube vencedor. Infelizmente, o time encontrou vários problemas durante o campeonato, terminando em 5º lugar, duas posições abaixo da temporada anterior.

Porém, na mesma temporada, foi campeão da Supercopa da UEFA, batendo o poderoso Milan, que substituiu o campeão da UEFA Champions League, Olympique Marseille. Vitória milanesa em Parma por 1 a 0 e uma surpreendente vitória fora de casa para o Parma de 2 a 0.



Numa temporada inesquecível para o torcedor parmegiano, 1994-95, o Parma consegue ficar em segundo no campeonato, atrás apenas da sua maior rival da época, a Juventus. Numa temporada em que chegaram reforços como o zagueiro português Fernando Couto e o meia italiano Dino Baggio, além de serem vice-campeões da Itália, o Parma conquistou, em cima da própria Juventus, a Copa da UEFA.

No resultado agregado de 2 a 1, conquistou uma vitória de 1 a 0 em casa, no estádio Ennio Tardini, gol de Dino Baggio, e empate no San Siro por 1 a 1, com Gianluca Vialli marcando para a Juve, e novamente Dino Baggio marcando para o Parma. Era o primeiro grande título internacional que esta esquadra viria a conquistar, em cima de uma forte Juventus que era a grande base da Squadra Azzurra, vice-campeã do mundo em 1994.

Na temporada 1995-96, o Parma não conquistou nada, obtendo um modesto sexto lugar na Série A. Entretanto, a temporada ficou marcada como a estreia de uma futura geração campeã, contando com os talentosíssimos jovens Gianluigi Buffon, Fabio Cannavaro e Filippo Inzaghi no elenco, e também contando com a estrela búlgara Hristo Stoichkov. Ao final da temporada, o histórico treinador Nevio Scala foi substituído pelo ex-jogador do Parma, Carlo Ancelotti.

Com Ancelotti, em 1996-97, o time se reforçou com outros jovens de estro sensacional, como o lendário defensor francês Lilian Thuram, o meia croata Mario Stanić, os brasileiros Zé Maria e Amaral e o atacante Enrico Chiesa, contratado junto à Sampdoria. Porém, com a saída de Zola para o Chelsea, restou uma incógnita, sobre quem seria o centroavante desta equipe.

Eis que surgiria Hernán Crespo, um dos maiores ídolos da história do Parma, contratado muito jovem junto ao River Plate. Com uma que é considerada das melhores equipes da história do clube, o Parma consegue o vice-campeonato, disputado ponto a ponto com a Juventus, tendo encerrado o campeonato apenas dois pontos atrás da "Vecchia Signora".

A temporada 1997-98 foi bastante desanimadora para o torcedor. O Parma não conseguiu classificação para a Champions League, e terminou em sexto lugar no campeonato, apesar de ter uma equipe muito forte. Tal temporada tiraria o emprego do treinador Carlo Ancelotti, sendo substituído por Alberto Malesani.

Em seu primeiro ano, Malesani deu aos torcedores uma temporada inesquecível. Com um time muito forte, com o grande goleiro Buffon; Thuram, Cannavaro, Sensini e Antonio Benarrivo na defesa; Diego Fuser, Dino Baggio, o jovem Stefano Fiore e o argentino Juan Sebastián Verón no meio de campo; e no ataque, a dupla Chiesa e Crespo, o Parma conquistou pela segunda vez a Copa da UEFA, desta vez em cima do Olympique Marseille, vencendo por 3 a 0, gols de Crespo, Paolo Vanoli e Chiesa.

Além disso, conquistou a Coppa Italia em cima da fortíssima Fiorentina, que contava com Francesco Toldo, Rui Costa e Gabriel Batistuta. No Campeonato Italiano, porém, o grande desempenho não se repetiu, e o Parma terminou em 4º lugar, atrás de Milan, Lazio e Fiorentina.


Na temporada 1999-00, a qual pode ser considerada como o inicio do declínio dos Gialloblu, que tinham uma equipe igualmente forte, porém não contando mais com Chiesa, transferido para a Fiorentina. Surgiu espaço para o bom atacante Marco Di Vaio aparecer, além do artilheiro brasileiro Márcio Amoroso e o argentino Ariel Ortega. Entretanto, não repetiram as glórias da temporada passada, terminando o campeonato italiano na 5ª posição. Porém, veio uma conquista inédita, a Super Coppa da Itália, vencida sobre o Milan, 2 a 1 para o Parma, em pleno Estádio San Siro. Ao final da temporada, Crespo seria vendido à Lazio.

Na temporada 2000-01, o Parma não conseguiu mais lutar por titulo italiano ou europeu. Numa temporada que foi marcada pelas inúmeras trocas no comando técnico da equipe, o Parma terminou novamente em quinto lugar. Ao final da temporada, Buffon e Thuram, jogadores já consagrados na equipe, foram vendidos para a rival Juventus.

O ano de 2001-02 confirmou o declínio parmegiano, conquistando o seu ultimo titulo até então, a Coppa Italia sobre a Juventus. Neste ano, o parma obteve sua pior colocação na Série A após a promoção, um décimo lugar. No fim do ano, o zagueiro Fabio Cannavaro se despediu dos Gialloblu.

Com a falência da Parmalat, o Parma passou a sofrer para equilibrar suas contas, tendo que vender todo o resto da sua última geração vencedora, e apostando em jovens promessas, como Marco Marchionni, Alberto Gilardino, Daniele Bonera, e os ítalo-australianos Vincenzo Grella e Mark Bresciano.

Em meio à tamanhas dificuldades, foi impossível se manter na Série A, e na temporada 2007-08, o Parma foi rebaixado à Série B do Campeonato Italiano.

Por lá ficou uma temporada e hoje, o time que é presidido pelo empresário Tommaso Ghirardi está de volta à Série A, possuindo uma equipe mais modesta que antigamente, mas permitindo aos seus torcedores sonhar mais alto para o futuro.

Com a sua rica história na década de 90 e início de anos 2000, o Parma é ainda hoje o quarto time italiano com mais tradição em competições europeias, perdendo somente para Juventus, Milan e Inter.

Sobre a Era de Ouro do Parma, há uma curiosa história: a lenda de que o uniforme de listras horizontais amarelas e azuis, identidade do Parma nesta época, somente era horizontal para rivalizar com as equipes maiores, de listras verticais em seus fardamentos, as três equipes italianas acima mencionadas.



O Parma foi o clube que, nos anos 90, trouxe mais emoção ao Futebol na Itália. Ao rivalizar com os grandes e tradicionais clubes italianos, deu esperança de que uma nova potência estaria se consolidando na Bota. Até então, nenhuma geração de jogadores dos gialloblu ombreou qualquer equipe da Era de Ouro parmegiana.

Além de várias vitórias, o Parma mostrou ao mundo jogadores espetaculares, sensacionais, venerados e idolatrados até hoje, como os goleiros Taffarel e Gianluigi Buffon, os defensores Fabio Cannavaro, Lilian Thuram e Roberto Sensini, os meio-campistas Thomas Brolin, Hidetoshi Nakata, Juan Sebastián Verón, Ariel Ortega e os atacantes Faustino Asprilla, Hernán Crespo, Adrian Mutu, Gianfranco Zola e Hristo Stoichkov.

Mais do que um celeiro de craques, o Parma foi uma marca registrada da última grande fase técnica do Futebol mundial, os anos 90.






quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Grandes Treinadores: Vittorio Pozzo

O Grande Treinador do post de hoje é, simplesmente, o maior vitorioso da história de todas as Copas do Mundo, vencedor de duas edições em sequência com a Seleção da Itália. Um homem apelidado carinhosamente pelo seu povo de "Il Vecchio Maestro", o "Grande Maestro", Vittorio Pozzo.

Vittorio nasceu em Turim, em 2 de março de 1886. Proveniente de uma família de posses, estudou em Manchester, se tornando um anglófilo de carteirinha. Tornou-se jogador de Futebol, tendo uma carreira curta, com passagens pelo Grasshopper, da Suíça, e pelo Torino, tornando-se treinador no ano seguinte.

Estreou como treinador pelo selecionado italiano para as Olimpíadas de 1912, onde seu time foi eliminado na primeira rodada pela Finlândia. Foi demitido logo após o insucesso, voltando para sua cidade-natal e assumindo o seu último clube como jogador, o Torino, onde também não teve grandes resultados, apesar de ter ficado por quase dez anos no comando da equipe.

Passou também pelo Milan, entre os anos de 1924 e 1926. Depois disso, viria o seu grande período como técnico, tornando-se um dos maiores da história da Itália.

Em 1928, Vittorio Pozzo assumiria o cargo de treinador da Seleção da Itália, na condição de que não aceitaria dinheiro para exercer tal cargo. O seu primeiro sucesso como comandante da "Azzurra" foi na Copa Internacional Centro-Europeia de 1930, a antecessora da Eurocopa. Na partida final, a Itália bateria a forte Hungria por 5 a 0 em Budapeste, onde jamais os húngaros haviam perdido um jogo.

Pozzo é o responsável pela criação de, talvez, a formação tática que revolucionou por inteiro o Futebol: " Il Metodo", italiano para "O Método".

Inspirado na escola do Danúbio - Áustria, Hungria, Tchecoslováquia - Pozzo baseou o novo esquema tático no tradicional "2-3-5". Observando que os seus half-backs necessitavam de mais apoio à frente do campo para serem superiores ao meio-campo adversário, trouxe dois jogadores de ataque para trás, criando involuntariamente os meias atuais.

A alteração proporcionou um sistema defensivo muito mais sólido e forte, além da possibilidade de contra-ataques rápidos e efetivos, com mais opções no meio-campo. Permitiu, também, o avanço mais constante dos atacantes que jogavam pelas laterais com maior velocidade, os atuais pontas.


Com esta formação, se desenvolveriam inúmeras variações táticas no Futebol, a mais óbvia, o 4-3-3, bem como o 4-5-1, entre outras. Com esta formação, Pozzo criou posições até então inéditas no Futebol, os laterais, volantes, meias e pontas.

Alguns especialistas argumentam que Pep Guardiola, ex-treinador do monstruoso Barcelona dos últimos anos, utilizou uma variação modernizada de "Il Metodo", o que é bem plausível.

Voltando à carreira de Pozzo, utilizando o seu Método, o seu primeiro grande galardão foi a conquista da Copa do Mundo de 1934, sediada pela Itália, em meio ao período ditatorial do Duce Benito Mussolini. Em uma campanha controversa, muitas vezes questionada pelas possíveis intervenções do Duce nas escolhas de árbitros, suborno de rivais, etc., Pozzo seria campeão.

Depois de um massacre de 7 a 1 contra os Estados Unidos na primeira fase - o formato do torneio era de mata-mata - um confronto dificílimo contra a forte Espanha. No jogo, resultado de 1 a 1, com um gol italiano irregular, uma falta clara no arqueiro Ricardo Zamora, o melhor do mundo na época. Com o empate, se jogaria uma partida suplementar no dia seguinte.

No segundo jogo, vitória de 1 a 0, gol do monstro sagrado Giuseppe Meazza, embora tenha sido falta novamente no arqueiro, desta vez J.J. Nogues. Passariam para enfrentar a grande seleção da Áustria, um dos maiores times do mundo na época, o "Wunderteam", Time dos Sonhos em alemão.

Para sorte de Pozzo, uma chuva torrencial acabou com o gramado do Estádio Giovanni Berta, em Florença - atual Artemio Franchi - impedindo os austríacos de desenvolverem seu jogo de toque de bola. Numa partida basicamente formada por chutões, venceu a mais forte fisicamente Itália, por 1 a 0, com um gol do argentino Enrico Guaita, um dos estrangeiros naturalizados italianos especialmente para a Copa - os chamados Oriundi.




Na Final, outro duro embate, contra a talentosa seleção da Tchecoslováquia, dos artilheiros Oldrich Nejedlý e Antonín Puč, do sensacional meio-campista Štefan Čambal e do magistral goleiro František Plánička, precursor das luvas de goleiro.

Puč marcaria 1 a 0 para os tchecoslovacos, aos 27 do segundo tempo. Entretanto, dez minutos depois, Raimundo Orsi - outro argentino naturalizado italiano - empataria a peleja. Na prorrogação, o centro-avante Angelo Schiavio viraria o jogo para a Itália, impedindo a reação tchecoslovaca e dando o título da Copa do Mundo de 1934 para a Itália. Vittorio Pozzo e seus comandados escapariam da morte neste momento, tendo sido compelidos pelo Duce Mussolini a "Vencer ou Morrer"!

A Azzurra se sagraria campeã mundial pela primeira vez, com um time de grandes lendas, como o imortal Giuseppe Meazza, maior craque da história da Itália, o goleiro e capitão Giampiero Combi, os grandes atacantes Angelo Schiavio e Giovanni Ferrari, e os Oriundi Luis Monti, Enrico Guaita e Raimundo Orsi, platinos de nascença, mas italianos de coração.


Em 1936, ainda, no meio-termo entre as Copas de 1934 e 1938, Pozzo conquistaria a medalha de ouro no Futebol das Olimpíadas de Berlim, com um time que contava com os futuros campeões e dupla de zaga fortíssima, Alfredo Foni e Pietro Rava, além do engraçadíssimo mas matador centroavante Annibale Frossi, o artilheiro do time e do torneio, totalmente míope, jogando com gigantes óculos e uma faixa branca na testa.

Em 1938, com uma seleção renovada, a Itália e Pozzo disputariam a Copa do Mundo na França. A Segunda Guerra Mundial estava chegando, e o clima era pesadíssimo. Os italianos, por conta da polêmica da Copa anterior, eram os alvos dos adversários.

Mas Vittorio Pozzo, com seu espírito de liderança e técnicas de motivação, levou seus comandados mais uma vez à glória. Contando com jovens talentosos, como os zagueiros Foni e Rava, os atacantes Silvio Piola e Gino Colaussi e o meio-campista Ugo Locatelli, bem como a liderança do craque Giuseppe Meazza, agora capitão e meia, não perderia a chance de uma dobradinha.

E começaram com uma partida duríssima, contra a surpreendente Noruega. Venceriam apenas na prorrogação, por 2 a 1, com um gol salvador de Piola. Nas quartas-de-final, jogo duríssimo contra a anfitriã, França, mas sobressaiu a técnica italiana, vencendo por 3 a 1, gols de Colaussi e Piola duas vezes.

Na semi-final, uma partidaça contra a Seleção Brasileira. Por um erro de planejamento, os brasileiros pouparam o monstro Leônidas da Silva, achando que seria uma partida tranquila. Acabaram vencedores os italianos, numa bela partida, por 2 a 1, gols de Colaussi e Meazza, de pênalti, com o seu calção desamarrado!


Os italianos enfrentariam a Hungria na partida decisiva. Em um jogo duro, mas sem muitos sustos, os italianos sobrepujariam os magiares por 4 a 2, gols de Colaussi e Piola, duas vezes cada um. Desta vez, Giuseppe Meazza levantaria a taça Jules Rimet, consagrando Vittorio Pozzo, o único treinador a vencer duas vezes a Copa do Mundo, e a Itália, como a primeira seleção a conquistar duas vezes seguidas a Copa do Mundo.

Pozzo remanesceria como treinador da Azzurra até 1948, quando encerraria sua carreira, para se tornar jornalista e comentarista de Futebol. Faleceria em 1968, em Ponderano, na Itália, após ter assistido o título do seu país na Eurocopa - na época, Campeonato Europeu de Futebol.

Vittorio Pozzo, além de ter sido um revolucionário na parte tática e motivacional no Futebol, também foi um grande vencedor. Corajoso, assumiu o comando dos italianos em meio à ameaças de morte e vergonha nacional, foi capaz de liderar a Azzurra a dois títulos mundiais em seu comando, além de uma medalha de ouro olímpica, se consolidando na galeria dos maiores treinadores de todos os tempos.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Grandes Uniformes: Copa do Mundo (Parte 3)

Continuando a série dos Grandes Uniformes das Copas do Mundo, hoje é a vez da edição do ano de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão.

Vamos aos fardamentos escolhidos:


Coreia do Sul - Home:

Um dos países-sede da Copa de 2002, a Coreia do Sul foi a uma das grandes surpresas do torneio, em conjunto com a Turquia, mostrando ao mundo jogadores como Park Ji-Sung, Ahn Jung-Hwan, Lee Young-Pyo, entre outros.

O uniforme da equipe é usado nos moldes de 2002 até hoje, um fardamento mais marcante do que belo, com uma camisa rosa-choque e calção azul-escuro. Entretanto, o uniforme serviu para destacar ainda mais a guerreira e surpreendente equipe coreana.


França - Home:

A defensora do título de Campeã do Mundo no torneio de 2002, a França fez uma das piores campanhas de toda a sua história futebolística, não passando pela primeira fase de grupos.

Pelo menos, o uniforme produzido pela Adidas foi belíssimo, mantendo a tradição dos uniformes simples da França. Com a camisa azul com pequenos tons em vermelho, calções brancos e meias vermelhas, representaram seu país com classe, pelo menos quanto ao fardamento.


Brasil - Home:

Em 2002, a Seleção Canarinho voltou ao topo do mundo, com uma campanha maravilhosa na Copa, sete vitórias em sete partidas, e com um time recheado de craques, como Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Roberto Carlos, Cafu, Lúcio...

No uniforme, a Nike caprichou, com um uniforme marcante e inesquecível para todos, a clássica combinação de camisa amarela com detalhes verdes, calção azul e meias brancas.


Bélgica - Home:

A Bélgica viria para a Copa do Mundo de 2002 com um bom time e um belo uniforme. Presença constante no torneio desde a Copa do Mundo de 1986, continuavam mostrando seu bom Futebol e sua boa safra de jogadores.

O time que chegou nas oitavas-de-final usou um uniforme de cores marcantes e chamativas, fiéis à bandeira belga, mas que ficou muito legal. Camisas, calções e meias em tom de vermelho forte, com detalhes pretos e amarelos.


Senegal - Home:

Participando pela primeira vez em uma Copa do Mundo, a seleção senegalesa chocou o planeta ao derrotar a França na partida inicial do torneio. Com um time talentoso, Senegal chegaria às quartas-de-final, onde perderia para outra grande surpresa, a Turquia.

Com um uniforme de camisa branca, com detalhes nas cores da bandeira senegalesa, verde, amarelo e vermelho, calções verdes e meias brancas, Senegal marcou nesta Copa do Mundo.


Dinamarca - Home:

Outra seleção que foi bem na Copa do Mundo, tanto no uniforme quanto na campanha, foi a Dinamarca, que chegou até às oitavas-de-final, agora já sem os irmãos Laudrup e o goleiro Peter Schmeichel.

Com um uniforme simples, mas elegante, de camisas vermelhas-escuro, calções brancos e meias vermelhas-escuro, a Dinamarca foi muito bem no campo.


Argentina - Home:

Talvez a grande decepção da Copa do Mundo de 2002, a Argentina parou na primeira fase, no chamado "Grupo da Morte", com um time muito forte, recheado de craques, como Juan Sebastián Verón, Gabriel Batistuta, Javier Zanetti, entre outros.

No uniforme, pelo menos, não fizeram vergonha, tanto no Home quanto no Away. O uniforme tradicional ficou belíssimo, camisa listrada de cores azul celeste e branca, calções negros e meia branca.


Nigéria - Home:

Minha última escolha foi o uniforme mais controverso do torneio. Uma camisa de cor chocante, para um time marcante por seu estilo de jogo.

Infelizmente, a Nigéria não foi bem na Copa, sendo eliminada junto com a Argentina na primeira fase, no "Grupo da Morte". O uniforme era todo verde claro, com detalhes brancos. A Nigéria não marcou pelo seu Futebol, mas sim, pelo seu excêntrico fardamento!

Na próxima, os uniformes mais legais da Copa de 1998! Até lá!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Craques que Não Assistimos Jogar: Matthias Sindelar

O jogador homenageado do post de hoje é um dos maiores craques da história do Futebol antes da Segunda Guerra Mundial. Um homem que fez parte de um dos maiores times europeus de todos os tempos, e ajudou a revolucionar o jeito de se jogar bola: Matthias Sindelar.

Sindelar nasceu em Kozlov, na época, Áustria-Hungria, hoje República Tcheca, em 10 de fevereiro de 1903. De uma família muito pobre, que se mudou para Viena em 1905, surgiu a paixão de se jogar Futebol, que Matthias praticava nas ruas da cidade.

Aos 15 anos de idade, Matthias se juntou ao Hertha Vienna, jogando no clube até os 21 anos, quando foi transferido para o FK Austria Vienna, clube que defendeu até o fim de sua vida.

Tornou-se um dos melhores jogadores do Futebol europeu do pré-guerra, conhecido por marcar muitos gols. Ajudou o Austria Vienna a conquistar diversos títulos: cinco Copas da Áustria, em 1925, 1926, 1933, 1935 e 1936, um Campeonato Austríaco em 1926 e duas Mitropa Cup - um torneio entre clubes do centro europeu - em 1933 e 1936.

Matthias também foi parte do "Wunderteam", "Time dos Sonhos" na língua alemã. Se tratava do selecionado internacional da Áustria, formado pela maior geração futebolista do país. Comandados por Hugo Meisl, grandes jogadores como Josef Smistik, Walter Nausch, Stefan Skoumal, Hans Mock e, claro, Matthias Sindelar, colocaram a Áustria no mapa do Futebol mundial.

Com um jeito envolvente de se portar em campo, tocando a bola inteligentemente, com movimentação e ocupação territorial articulada, os austríacos ganharam muitos apreciadores e a admiração do planeta. Entre abril de 1931 e dezembro de 1932, o "Wunderteam" esteve invicto, massacrando quase todos os seus adversários. Matthias Sindelar era o capitão desta equipe.

Sindelar era um atacante completo. Muito criativo, armava jogadas com maestria, marcava muitos gols e era um driblador nato. Sua precisão nos passes, na finalização e nos dribles e tornaram uma grande estrela. Marcou 27 gols em 43 partidas pela Áustria.

Um cracaço, capaz de jogadas estonteantes, foi um dos jogadores mais influentes do seu tempo. Muitos falavam que as plateias iam aos jogos não só para assistirem Sindelar jogar, mas também para aprender um pouco mais sobre a essência e sobre como se jogava Futebol inteligentemente.

Ganhou o apelido singelo de "Der Papierene", o "Homem de Papel", pois era um jogador magro, de estrutura física muito frágil, mas também um craque capaz de transpirar elegância e categoria jogando Futebol.

Após a anexação da Áustria pela Alemanha, Sindelar se negou veementemente a defender as cores do Terceiro Reich. Em uma partida, a despedida da Seleção austríaca, disputada contra a mesma Alemanha que anexara seu país, marcou um gol, comemorando com provocações aos enviados nazistas que assistiam a partida.

Foi encontrado morto com sua esposa em seu apartamento, em Viena. O laudo pericial feito com os corpos declarou que a causa mortis foi intoxicação por monóxido de carbono, uma causa até hoje não esclarecida.

É uma pena não termos praticamente nenhum registro deste craque imortal do Futebol. Sindelar foi um dos homens que viam o Futebol anos na frente das outras pessoas, ajudando-o a transformar o esporte mais popular do Mundo no mais belo espetáculo que existe.

Fica então esta singela homenagem ao monstro sagrado do Futebol, que parecia ser feito de papel, frágil, mas que superava até o mais robusto defensor com sua grandiosa técnica.