quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Grandes Treinadores: Tomislav Ivić

O grande treinador de hoje é um dos maiores vencedores da história do Futebol. Um cosmopolita, que passou em clubes de 14 países diferentes. Além de ser vencedor, foi um dos treinadores que ajudou a modernizar o jogo. Trata-se da lenda Tomislav Ivić.

Nascido em Split, na época, Reino da Iugoslávia (hoje Croácia), em 30 de junho de 1933, Ivić foi um jogador de sucesso modesto, começando a sua carreira e permanecendo por quatro temporadas no RNK Split, se transferindo em 1957 para o Hajduk. Em 1963, encerrou sua carreira de jogador, aos trinta anos de idade.

Em 1965, Ivić satisfez os seus anseios de se tornar treinador de Futebol, cursando a Escola de Técnicos em Belgrado. Um aluno exemplar, foi o melhor da sua classe, com nota média de 10.

Em Split, sua cidade natal, iniciou sua carreira de treinador, no mesmo clube que o formou, o RNK. Começava uma das carreiras mais vitoriosas de todos os tempos no Futebol. Permaneceu por um ano treinando o RNK.

Em 1968, foi contratado pelo Hajduk, para treinar as categorias de base do clube. Formou inúmeros grandes jogadores em 4 anos de trabalho, e passou a despertar interesse em muitos clubes. O trabalho de Ivić seria colhido por si próprio anos depois, quando voltaria ao Hajduk.

Para a temporada de 1972, foi contratado pelo pequeno Šibenik, onde trabalhou por uma temporada, antes de treinar brevemente a Seleção da Iugoslávia, até 1974. Até aí, nenhum título conquistado.



Em 1974, Ivić retornou para o Hajduk. Com a chamada "Geração de Ouro" do clube, Tomislav Ivić conquistaria vários títulos em nível nacional. Com uma equipe praticamente montada de jogadores formados pelas categorias de base do clube, fruto do trabalho do próprio Ivić, o Hajduk conquistou, de 1973 a 1976, dois Campeonatos da Iugoslávia - 1974 e 1975 - e quatro Copas da Iugoslávia - de 1972 a 1974 e 1976.

Comandou um time recheado de craques, como Petar Nadoveza, Ivan Katalinić, Dragan Holcer, Jurica Jerković, Luka Peruzović, Vilson Džoni, Brane Oblak, Dražen Mužinić, Ivica Šurjak, Ivan Buljan, Slaviša Žungul e os irmãos Zoran Vujović e Zlatko Vujović.

Depois do grande sucesso no Hajduk, foi contratado pelo gigante holandês Ajax, ficando em Amsterdã por duas temporadas e conquistando o Campeonato Holandês na temporada 1976-77, depois de um jejum de quatro anos sem títulos..

De 1978 a 1980, voltou ao Hajduk, conquistando mais um Campeonato da Iugoslávia, em 1979.

Em 1980, foi contratado pelo belga Anderlecht.  Ivić contratou diversos reforços para o clube, como os grandes Morten Olsen, Wim Hoefkens e Luka Peruzović, conquistando o Campeonato da Bélgica na sua primeira temporada, 1980-81. Em 1981-82, atingiram as semi-finais da Copa dos Campeões da Europa, sendo eliminados pelos futuros campeões, o Aston Villa.

Depois do Anderlecht, teve várias passagens rápidas em diversos clubes. De 1983 a 1984, treinou o Galatasaray; de 1984 a 1985, voltou à Iugoslávia para treinar o Dinamo Zagreb; de 1985 a 1986, treinou o pequeno Avellino, da Itália; ainda em 1986, treinou o Panathinaikos por sete partidas, conquistando o Campeonato Grego; e do fim de 1986 a 1987, retornou novamente ao Hajduk. O que parecia uma carreira turbulenta sofreria uma grande reviravolta.

Em 1987, foi contratado pelo Porto, de Portugal. Montando um time recheado de craques, como o argelino Rabah Madjer, o goleiro polonês Józef Młynarczyk, os portugueses Paulo Futre, António André, Rui Barros e Fernando Gomes e os brasileiros Juary e Geraldão, conquistaria uma série de glórias pelos Dragões.



Na sua temporada inicial, 1987-88, levou o Porto ao título inédito da Copa dos Campeões da Europa, batendo o Bayern de Munique na Final. Ainda na mesma temporada, numa partida espetacular, venceu o Peñarol, conquistando a Copa Intercontinental, e conquistou a Supercopa da Europa.

No ano de 1988, ao fim da temporada, levou ainda o Campeonato Português e a Copa de Portugal. Um feito simplesmente impressionante. Jamais um treinador em Portugal havia conquistado todos os títulos disputados por um mesmo clube. Tornou-se um dos maiores ídolos da história do clube, mesmo treinando os Dragões por apenas uma temporada.

Em 1988, transferiu-se ao Paris St. Germain, ficando por lá até 1990. Para a temporada 1990-91, comandou o Atlético de Madrid, conquistando a Copa del Rey. Manteve-se em Madri por pouco tempo, por conta da personalidade imbecil do presidente Jesús Gil, que demitia treinadores na medida que bebia copos d'água.

Teve uma passagem rápida pelo Olympique Marseille, ainda em 1991, ajudando o clube a conquistar o título do Campeonato Francês.

Voltou a Portugal em 1992, treinando o Benfica e o Porto mais uma vez.

Em 1994, foi apontado treinador da Croácia, auxiliando o país a alcançar classificação pela primeira vez a uma competição internacional, a Euro '96. Liderou os croatas em vários jogos históricos, o mais importante deles, uma vitória contra a Itália em Palermo, por 2 a 1.

Em 1995, foi contratado pelo Monaco como consultor, sendo contratado no mesmo ano pelo Fenerbahçe para o mesmo papel.

De 1995 a 1996, foi para os Emirados Árabes Unidos, treinando a Seleção do país, e o Al-Wasl.

Em 1997, voltou por pouco tempo para o Hajduk, exercendo o cargo de vice-presidente do clube. No mesmo ano, se transferiu para o Irã, onde treinaria a Seleção nacional até meados de 1998.

Com sua carreira se encaminhando para o final, voltou à Bélgica para passar dois anos comandando o Standard Liége, de 1998 a 2000. Passaria mais uma vez pelo Marseille rapidamente, em 2001, encerrando sua carreira no Al-Ittihad, da Arábia Saudita.

Tomislav Ivić faleceu em 24 de junho de 2011, uma semana antes do seu septuagésimo-oitavo aniversário, em decorrências de problemas cardíacos.

Ivić era um treinador extremamente dedicado e disciplinado, mas ao mesmo tempo, um ser humano adorável e divertidíssimo. Adorava fazer brincadeiras com seu grupo de jogadores, além de tratar todos com carinho e atenção.

Metódico, quando se lembrava de alguma coisa, anotava no seu bloquinho de notas, e não tinha receio de ordenar três treinos diários aos seus jogadores.

Além disso, Ivić foi um cosmopolita, falando fluentemente inglês, francês, português, espanhol e alemão, além da sua língua nativa, o servo-croata.

Recebeu a honraria da Insígnia de Ouro do Hajduk em 1975, por conta de seus grandes serviços prestados ao clube.

Ainda, em 2007, o periódico desportivo italiano Gazzetta dello Sport escolheu Tomislav Ivić o treinador mais bem-sucedido de todos os tempos, por ter conquistado oito títulos nacionais em sete países diferentes. Ivić treinou clubes e seleções em 14 países diferentes, além de treinar quatro seleções nacionais, um feito histórico.

O legado do croata ficará na memória do mundo todo, como um treinador extremamente vitorioso, bem como pelo seu grande coração e seu carisma sensacional. Obrigado por tudo, Tomislav Ivić.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Grandes Uniformes: Copa do Mundo (Parte 5)

Hoje o post é dedicado aos grandes uniformes utilizados na Copa do Mundo de 1994, um dos torneios mais lembrados de todos os tempos. Época de camisas muito grandes, de cores vistosas, inacreditáveis!

Talvez, das últimas 5 edições, foi onde o maior grupo de grandes craques se apresentou simultaneamente. Stoichkov, Hagi, Romário, Rijkaard, Baresi, Preud'Homme, Klinsmann, Matthäus, Hierro, Maradona, Larsson, Scifo, Sánchez, Valderrama, Taffarel, Ravelli, Redondo... Foi um torneio mágico.

Vamos à listagem então!

Bélgica - Home:

A Bélgica, assim como a Noruega, tinha um time muito talentoso e entrosado. Craques como o goleiraço Michel Preud'Homme e os jogadores de linha Enzo Scifo e Luc Nilis abrilhantavam o esquadrão Belga. Fizeram uma boa campanha, sendo eliminados nas oitavas-de-final pela forte Alemanha.

O uniforme dos belgas é memorável, com as cores tradicionais, mas com detalhes marcantes na parte dos ombros. Camisas, calções e meias vermelhas, com detalhes em uma faixa branca no ombro e desenhos em preto e amarelo.













Brasil - Home:

Indiscutivelmente, entre os uniformes mais legais e marcantes da Copa de 1994, está o da Seleção Canarinho, a Campeã do Mundo daquela edição. Os comandados de Carlos Alberto Parreira jogaram um Futebol pragmático, fechado, contando com Romário, para vencer a Copa.

O uniforme era sensacional, da Umbro, com um detalhe no fundo do símbolo da CBF. Camisas amarelas e golas verdes, calções azuis e meias brancas.
















Alemanha - Home:

A Seleção defensora do título na edição, a Alemanha contava com um time muito forte, mas já envelhecido. Na primeira edição como Alemanha unificada, foram primeiros colocados no grupo, mas eliminados nas quartas-de-final pela surpreendente seleção da Bulgária.

O uniforme foi bem parecido com o de 1990, com a camisa branca e detalhes nas cores da bandeira alemã na parte superior da camisa, calções pretos e meias brancas. Um uniforme até hoje lembrado pela ousadia.









Estados Unidos - Away:

Esse é o uniforme mais marcante, pra mim, de todos os tempos das Copas do Mundo. Os anfitriões da Copa, os Estados Unidos tinham um time pitoresco, com figuraças, como Alexi Lalas, Marcelo Balboa, Tony Meola e Cobi Jones. Mas fizeram uma campanha relativamente boa, perdendo apenas para o Brasil nas oitavas-de-final.

Não é muito fácil descrever o fardamento. Uma camisa azul com estrelas grandes e golas brancas, calções bordô e meias brancas. Um uniforme excêntrico, porém original. Particularmente, sensacional.














Argentina - Home:

A grande favorita para conquistar o torneio, à frente de Alemanha, Brasil e Itália, a Argentina tinha um esquadrão sensacional. Monstros como Batistuta, Redondo, Simeone, Sensini e claro, a lenda Maradona, desfilaram nos gramados norte-americanos. Infelizmente, a Argentina foi eliminada pela bela seleção da Romênia, nas oitavas-de-final.

O uniforme dos argentinos era o clássico, muito bonito na sua composição, camisas brancas e listras verticais azuis-celeste, calções negros e meias brancas.















Rússia - Away:

A Rússia participava pela primeira vez da Copa do Mundo, depois da divisão da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Naturalmente, a divisão dos talentos foi sentida pelo lado dos russos, que ficaram na primeira fase. Entretanto, consagraram Oleg Salenko, que marcou cinco gols na vitória contra Camarões.

Um design arrojado caracterizou o uniforme dos russos. Fabricado pela Reebok, o uniforme reserva era muito bacana, com camisa branca e detalhes assimétricos em vermelho e azul, calções azuis e meias vermelhas.

Por hoje é isso aí, pessoal. Na próxima, Copa de 1990!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Craques que Não Assistimos Jogar: Ricardo Zamora

O craque que não pudemos assistir jogar de hoje é um dos grandes nomes da história do Futebol de seu país. É considerado até hoje uma das maiores lendas na sua posição. Um homem polêmico, sem papas na língua, mas também um herói nacional. Um monstro debaixo das traves, Ricardo Zamora.

Nascido em Barcelona, na Espanha, em 21 de janeiro de 1901, Ricardo Zamora Martinez começou a jogar por um clube local, o Universitari SC, aos 13 anos de idade. Já se mostrava um grande arqueiro, fisicamente e tecnicamente.

Foi contratado por outro clube local, desta vez um dos grandes da época, o Espanyol de Barcelona, com singelos quinze anos de idade. Em sua primeira passagem pelo clube, ajudou o clube barcelonense a conquistar o Campeonato da Catalunha, na temporada 1918-19.

Entretanto, uma discussão com diretores do Espanyol o levou a ser transferido para o clube rival da cidade catalã, o grande Barcelona. Lá, já muito experiente, apesar da pouquíssima idade - apenas 18 anos de vida - se uniu a grandes lendas da história do clube, como Josep Samitier, Sagibarba, Paulino Alcántara e Félix Sesúmaga, treinados pelo glorioso coach inglês Jack Greenwell. Entre 1919 e 1922, auxiliou o Barcelona a conquistar por três vezes o Campeonato da Catalunha, e duas vezes a Copa del Rey.

Em 1922, retornou ao Espanyol. Depois de anos sem títulos, em 1929 auxiliou o clube a ser mais uma vez campeão do Campeonato da Catalunha, treinado mais uma vez por Jack Greenwell. Conquistou um dos maiores títulos da história do Espanyol no mesmo ano de 1929, a Copa del Rey, a primeira da história do clube.

No ano de 1930, foi contratado pelo gigante Real Madrid. Junto com Zamora, viria outro grande nome, Jacinto Quincoces, uma lenda na Espanha. Os Merengues desejavam montar uma máquina. E de certa forma, conseguiram.

A temporada 1931-32 trouxe os primeiros resultados, com o Real Madrid conquistando seu primeiro título espanhol. Na temporada seguinte, o ex-Barcelona Josep Samitier se juntou ao grupo, ajudando o clube madrilenho a defender o título espanhol.

Em 1934, o treinador Francisco Bru assumiu o comando dos Merengues, com Zamora comandando a equipe para conquistar mais dois títulos da Copa da Espanha (assim nomeada na época por conta da Revolução dos Republicanos), em 1934 e 1936.

Em 1937, se transferiu para o Nice, da França, exilando-se por conta da Guerra Civil que tomava conta do país. Jogou por lá até 1938, quando se aposentou como jogador.

Em 1939, tornou-se treinador, sendo contratado pelo Atlético Aviación - hoje conhecido como Atlético de Madrid - conquistando os primeiros campeonatos nacionais do clube, em 1940 e 1941. Continuou sua carreira no Celta de Vigo, em 1946. Na temporada 1947-48, conduziu o Celta, que tinha um time relativamente fraco, a um sexto lugar no campeonato nacional e à Final da Copa del Generalíssimo - outro nome para a atual Copa del Rey.

Passou em períodos curtos pelo Málaga, a Seleção Espanhola, mais duas vezes pelo Celta e duas vezes pelo Espanyol, intercaladamente. Encerrou sua carreira de técnico, sendo empregado do Espanyol até rigorosamente o dia do seu falecimento, em 8 de setembro de 1978.

Zamora defendeu em 46 partidas a Seleção da Espanha, bem como o selecionado da Catalunha, em partidas amistosas. Ricardo Zamora fez parte do grupo da Espanha na Copa de 1934, sendo eleito o melhor goleiro do torneio, e protagonista de lances espetaculares, mágicos.

Chamado de El Divino, "O Divino" em espanhol, Zamora é um dos maiores goleiros da história da humanidade. Um jogador alto para a época - media 1,94 - era, ao mesmo tempo que seguro nas bolas altas, ágil e cheio de reflexo, capaz de defesas milagrosas, à queima-roupa. Era um pegador de pênaltis nato, defendendo inúmeros na sua carreira.

Capaz de atuações heroicas, certa feita, numa partida internacional contra a Inglaterra em 1929, continuou a jogar depois de ter quebrado o seu esterno! Ficou muito conhecido por uma defesa milagrosa na Final da Copa do Generalíssimo de 1936, contra seu antigo clube, o Barcelona, garantindo a vitória do Real Madrid.

Era um visionário, utilizando um chapéu e camiseta de gola rolê durante os jogos, tendência seguida pela maioria avassaladora dos goleiros da época e de épocas futuras.

Foi um homem de personalidade, polêmico. Admitiu certa feita ser alcoólatra, bebendo conhaque diariamente, além de fumar três carteiras de cigarro por dia. Não tinha medo de falar o que sentia, inclusive sua posição política contrária à Revolução que ocorreu na Espanha. Foi prisioneiro das tropas revolucionárias, escapando por seu carisma e por aceitar jogar Futebol com os guardas do cárcere.

Foi eleito o quinto maior goleiro da história pela IFFHS, bem como recebeu a Grande Cruz da Ordem de Cisneros, do General Francisco Franco. Ainda, dá nome ao troféu de melhor goleiro da temporada da Espanha, uma honra digna de poucos.

Um goleiro exemplar, e ao mesmo tempo polêmico, Ricardo Zamora é até hoje um dos craques mais cultuados não só da Espanha, mas do Futebol espanhol. Dificilmente irá se encontrar um homem tão corajoso e vivaz quanto ele nas goleiras do mundo todo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Promessas do Futebol Mundial: Raheem Sterling

Raheem Sterling nasceu em 8 de dezembro de 1994, em Kingston, na Jamaica, sendo criado por sua avó. Aos cinco anos de idade, mudou-se para Londres, na Inglaterra, com a sua mãe.

Aos 10 anos de idade, juntou-se às categorias de base do Queen's Park Rangers, ficando por lá até o ano de 2010. Aos 14 anos de idade, foi capa de um jornal importante na Jamaica, o The Gleaner, que exaltava a evolução do jovem jamaicano, e declarando que Sterling "estava impressionando o Futebol da Inglaterra com seu talento prodigioso".

Em 2010, aos 15 anos de idade, foi comprado pelo Liverpool por 600 mil libras, podendo aumentar para 5 milhões de libras, dependendo do número de atuações no time principal. Raheem estreeou na equipe principal em um amistoso contra o Borussia Mönchengladbach, em 1º de agosto de 2010.

Depois da sua estreia, Sterling passou a jogar pelo time Junior do Liverpool, impressionando pela sua técnica, velocidade e facilidade na frente da goleira. Certa feita, em uma partida contra o Southend United, Sterling marcou cinco vezes em uma vitória de 9 a 0. Era o indicativo de uma carreira próspera.

Em agosto de 2012, Raheem Sterling fez a sua primeira exibição em uma competição europeia, com apenas 17 anos de idade, em uma partida contra o Gomel, da Bielorússia. Marcaria seu primeiro gol pelo time profissional em um amistoso contra o Bayer Leverkusen.

Seu primeiro jogo como titular da equipe principal do Liverpool foi contra o Hearts, numa partida qualificatória para a Europa League. Estreou como titular na Premier League no dia 26 de agosto de 2012, ainda com 17 anos, em um empate contra os atuais campeões, o Manchester City.

Sterling representou a Inglaterra pelas categorias Sub-16, Sub-17 e Sub-19, jogando 23 partidas e marcando 4 gols no total. Apesar de ser elegível para jogar pela seleção da Jamaica, foi surpreendentemente convocado para o English Team, a Seleção Inglesa, pelo treinador Roy Hodgson, que vem apostando em jovens promessas.

Raheem Sterling é um atacante, mas que joga preferencialmente pela ponta, em ambos os lados. É um jogador relativamente pequeno para o padrão atual - mede 1,70m - mas compensa a baixa estatura com muita velocidade e habilidade. É um driblador nato, contando com muita agilidade e técnica, fazendo suas jogadas com inteligência. Além disso, possui grande visão de jogo e tem facilidade para marcar gols.

O jovem jamaicano está surpreendendo tanto aos torcedores de seu clube, que já é comparado, pela semelhança técnica e pela sua origem - a Jamaica - com um dos maiores craques da história do clube, o grande John Barnes.

Sterling é uma das esperanças do Futebol inglês, que nos últimos 20 anos, vem em decadência técnica. Entretanto, com o surgimento de jovens talentosíssimos, como Jack Rodwell, Jack Wilshere, Alex Oxlade-Chamberlain, Jack Butland e Raheem Sterling, o English Team tem tudo pra voltar para as cabeças do cenário futebolístico Mundial.


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Craques que Nasceram no País Errado: Peter Ndlovu

O craque de hoje não é muito conhecido para os lados das Américas. Pra falar bem a verdade, não é muito conhecido por boa parte da Europa. É, aí sim, ídolo em uma parte da Inglaterra, mais precisamente em algumas cidades como Coventry, Sheffield, Birmingham e Huddersfield.

Você conhece Peter Ndlovu? Não?

Nascido em 25 de fevereiro de 1973 em Bulawayo, na Rodésia - hoje Zimbábue -, Peter Ndlovu faz parte de uma família de jogadores de Futebol, com seus irmãos Adam e Madinda também atuando profissionalmente. Todos eles cresceram jogando bola nas ruas de Makokoba, onde aprimoravam sua técnica.

Começou sua carreira no Highlanders, do Zimbábue. Por suas boas atuações, chamou a atenção do treinador Terry Butcher, que o levou para a Inglaterra, mais precisamente para o Coventry City. Lá, se tornaria um dos maiores ídolos da história do clube.

Com o Coventry sendo considerado um forte candidato ao rebaixamento na temporada 1992-93, Ndlovu, fazendo uma grande dupla com o lendário centroavante Micky Quinn, ajudou os Sky Blues a chegarem ao topo da tabela no início da Premier League, mas as atuações baixaram de nível, com o Coventry terminando a temporada em décimo-quinto lugar, com ótimas atuações do novato Ndlovu.

Em 1993-94, com as constantes boas atuações do jovem do Zimbábue, o Coventry City conseguiu se manter mais uma vez na Premier League, alcançando um décimo-primeiro lugar. Propostas choveram para Ndlovu, inclusive do Arsenal, que supostamente ofereceu quatro milhões de libras, proposta prontamente negada pelos Sky Blues.

Na temporada 1994-95, o Coventry gastou muito em contratações, como Darren Huckerby, John Salako, Dion Dublin, entre outros. Apesar dos reforços, o Coventry, sob comando de Ron Atkinson, não conseguiu sorte parecida com a temporada passada, terminando em décimo-sexto. Apesar disso, também com as contratações de Mustapha Hadji, Youssef Chippo e Steve Froggatt, Ndlovu passou talvez o seu melhor período com os Sky Blues, marcando gols simplesmente espetaculares.

Para 1996-97, o Coventry manteve a posição da temporada anterior, décimo-sexto lugar. Ndlovu não resistiu, e se transferiu para o Birmingham City, da Segunda Divisão. Apesar disso, Peter Ndlovu era muito querido pelos torcedores dos Sky Blues, sendo chamado carinhosamente de The Bulawayo Bullet, "A Bala de Bulawayo". Ao todo, anotou 41 gols no clube, muitos deles espetaculares.

Ndlovu foi um sucesso nos Blues, jogando ao estilo de um ponta-direita clássico. Driblador, rápido, fazia grandes jogadas, levando o Birmingham a dois Playoffs da Segunda Divisão, não logrando sucesso em nenhuma oportunidade para a promoção para a Premier League. De 1997 a 2001, período de sua passagem, marcou 23 gols.

Depois de passar um período de empréstimo no Huddersfield Town, onde marcou 4 gols em 6 partidas, transferiu-se para o Sheffield United, último grande clube de sua carreira.


Peter Ndlovu seria conhecido carinhosamente pelos torcedores do Sheffield United como "Nuddy", convertendo-se em um meia pelo lado direito do campo. Com Ndlovu, os Blades chegariam a duas semi-finais de competições domésticas, bem como uma final de Playoff da Segunda Divisão inglesa. Entre 2001 e 2004, marcou 25 gols, muitos deles, mais uma vez, memoráveis pela plástica das jogadas.

Na pós-temporada de 2004, transferiu-se para próximo de seu lar, para a África do Sul, no Mamelodi Sundowns. Uma das estrelas do time, o já veterano Ndlovu levou os Sundowns a conquistar dois títulos nacionais consecutivos na África do Sul, nas temporada 2005-06 e 2006-07, marcando 20 gols.

Para 2008, a equipe do Thanda Royal Zulu, recém chegada à Premier Soccer League, contratou o craque do Zimbábue como a maior aquisição da sua história. Infelizmente, Ndlovu não conseguiu salvar a equipe do rebaixamento, sendo dispensado em 2009. Encerrou a carreira depois de passar por dois pequenos times, o  Highfield United e Black Mambas.

Na Seleção do Zimbábue, disputou 100 jogos oficiais em 15 anos, marcando 38 gols. Lembrado por seus grandes gols em momentos decisivos, como seu Hat Trick contra a África do Sul na primeira partida do país após o fim do Apartheid, bem como levando o Zimbábue para duas Copas das Nações Africanas seguidas, Peter Ndlovu é considerado o maior jogador da história do país.

Ndlovu era um grande jogador, notável pela sua velocidade hipnotizante e pela sua técnica apurada, capaz de arrancadas insinuantes, quase que invariavelmente acabando em gols espetaculares. Além disso, é um sujeito de grande caráter, querido por todos tanto dentro quanto fora de campo.

Tivesse Ndlovu nascido em algum país de maior expressão no Futebol mundial, talvez tivesse mais sucesso na sua carreira - conquistou apenas dois títulos -, bem como seria muito melhor conhecido pelos apaixonados pelo Futebol.