terça-feira, 7 de agosto de 2012

Grandes Jogos: Liverpool x Flamengo, 1981

Em 13 de dezembro de 1981, aconteceu a segunda edição dos anos 80 da Toyota European/South American Cup, para nós, o famigerado Mundial Interclubes. O já três vezes campeão da Europa, Liverpool, enfrentaria o uma vez campeão da América, o Flamengo.

O treinador Bob Paisley levara o time de Merseyside ao seu ápice técnico e físico. Jogadores consagrados como Kenny Dalglish (que aparece no pôster à esquerda), Graeme Souness, Terry McDermott (ambos dividiram a artilharia da Copa da Europa, com seis gols cada) e Alan Hansen, defendiam as cores vermelhas do time que era o grande bicho-papão da época no Mundo.

O Flamengo era a sensação do Futebol brasileiro. Com um estilo de jogo bonito de se ver, os rubro-negros encantaram a América do Sul, apresentando ao continente monstros como Júnior e Zico, além de outros craques da bola, como Andrade, Adílio, Leandro, Lico, Tita...


Campanhas:

O Liverpool vencera a Copa dos Campeões da Europa passando na primeira fase pelo fraco Oulun Palloseura, da Finlândia, na segunda fase, pelo Aberdeen, da Escócia, nas quartas-de-final pelo CSKA Sofia, da Bulgária, pegando o duro Bayern de Munique na semi-final.

Após dois empates, 0 a 0 em casa e 1 a 1 fora, o Liverpool passou para a Final pelo saldo qualificado. Na Final, vitória magra contra o já não tão poderoso Real Madrid, 1 a 0, com um gol de Alan Kennedy, depois de cobrança de lateral próxima da área e uma furada espetacular do defensor do Real Madrid.

Já o Flamengo, na Copa Libertadores da América, passaria pela primeira fase em um grupo com Atlético Mineiro, Cerro Porteño e Olímpia, vencendo 2 partidas e empatando 4, empatando em primeiro lugar com os mineiros. Na disputa de quem se classificaria em primeiro lugar, o Flamengo vencia por 1 a 0, quando o árbitro terminou o jogo por conta das cinco expulsões do Galo.

Na segunda fase de grupos, contra Deportivo Cali e Jorge Wilstermann, venceu todas as quatro partidas disputadas, se classificando para enfrentar o Cobreloa, do Chile, na Final.

No primeiro jogo, vitória de 2 a 1 no Maracanã, gols de Zico. Em Santiago, no segundo jogo, vitória do Cobreloa por 1 a 0, forçando uma terceira partida a ser disputada em campo neutro. No desempate, o Flamengo foi muito superior, com mais uma exibição de gala de Zico, 2 a 0. Num fato inusitado, o treinador Paulo César Carpegiani, aos 44 minutos do segundo tempo, colocou o atacante Anselmo exclusivamente para nocautear o zagueiro Mario Soto, do Cobreloa, que nas três partidas foi extremamente violento.


O Jogo:

O Estádio Nacional de Tóquio estava aguardando uma grande partida, praticamente lotado com 62 mil pessoas, dentre poucos brasileiros e ingleses, e na maioria japoneses simpatizantes de um Futebol bem jogado.

De forma pouco educada, e de certa forma, presunçosa, os jogadores do Liverpool desprezavam os brasileiros, dizendo não conhecerem os jogadores. Viria uma surpresa bastante desagradável aos ingleses...


O Liverpool foi escalado com: Grobbelaar; Neal, Thompson, Hansen, Lawrenson; Lee, McDermott, Souness, Kennedy; Dalglish e Johnston. O técnico era Bob Paisley.

O Flamengo vinha armado com: Raul; Leandro, Marinho, Mozer, Júnior; Andrade, Adílio, Zico; Tita, Nunes e Lico. O Flamengo estava comandado pelo magistral ex-jogador e jovem treinador Paulo César Carpegiani.

A arrogância dos ingleses seria quebrada já nos primeiros momentos da partida, quando perceberam a total superioridade técnica do Flamengo.

Já aos 12 minutos de partida, na sua primeira grande jogada, Zico lançaria o centro-avante Nunes com perfeição, que após furada do defensor, apareceu na frente de Grobbelaar, dando um toque de categoria com o pé direito para mandar a bola para o fundo das redes. Um início fulgurante.

O Flamengo tocava a bola com maestria, colocando os ingleses "na roda".

Aos 34 minutos, Tita sofreu falta dura de McDermott, na entrada da área do Liverpool. Zico pegou a bola com carinho, bateu no canto de Grobbelaar, que bateu roupa, e, no rebote, Adílio marcaria o segundo gol. Já era um show de bola.

Para sacramentar a vitória, aos 41 minutos do primeiro tempo, Zico lançou Nunes de três dedos, antes da intermediária inglesa. O centro-avante entrou em velocidade pelo lado direito de ataque, chutando forte e cruzado para o gol, sem chances para o desamparado Grobbelaar. 3 a 0 Flamengo.

O restante do jogo foi apenas administrado pelo time carioca, com a vitória já certa. O Liverpool tentou imprimir pressão no ataque, sem qualquer sucesso.

Sagrava-se o primeiro Campeão do Mundo brasileiro depois do lendário Santos da década de 60. O Futebol brasileiro voltava à evidência do Mundo, com sua habilidade e técnica impecáveis. Vitória incontestável da técnica sobre a força e a arrogância dos europeus.

Abaixo, assista o jogo completo. Bom proveito!



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Grandes Times: The Crazy Gang

O segundo post mostra um pouco mais de um time bastante diferente. Não foi uma equipe de muitos títulos, tampouco de técnica refinada e futebol bonito. Aliás, muito pelo contrário. Mas sim, um time que ganhou notoriedade pela personalidade e por quebrar com a tradição do futebol inglês nos anos 80: o Wimbledon FC, também conhecidos como The Crazy Gang.

Tudo começou no ano de 1981, com a saída do treinador Dario Gradi de Plough Lane, antigo estádio do Wimbledon, juntamente com o antigo dono do clube, Ron Noades. Com isso, o assistente Dave Bassett assumiu o controle da equipe. A carreira de Bassett começaria muito mal, caindo para a Quarta Divisão do Futebol inglês já na sua temporada de estreia, sofrendo ainda com o suicídio do jogador Dave Clement, dias antes do último jogo do campeonato.

Porém, na temporada seguinte, 1982-83, começaria uma ascensão meteórica para o time londrino. Venceriam com folga a Quarta Divisão, conquistando 98 pontos para subir de divisão. Na temporada seguinte, nova promoção de divisão, dessa vez, terminando em segundo lugar, para chegar à Segunda Divisão Inglesa.

Na primeira temporada no segundo nível do Futebol inglês, 1984-85, contra as expectativas de rebaixamento, o Wimbledon conseguiu um respeitável décimo-segundo lugar. Já na segunda temporada na Segunda Divisão, conseguiria a tão sonhada promoção para o principal nível do Futebol inglês, a Primeira Divisão. Este foi um feito histórico, atingido apenas nove anos depois de o clube ser admitido nas Ligas, e as três promoções em quatro anos só haviam sido conseguidas antes pelo Swansea de John Toshack.

Novamente, ao contrário das expectativas da imprensa e dos torcedores rivais, o Wimbledon surpreendeu, terminando num inesperado sexto lugar na Primeira Divisão em 1986-87, vencida com tranquilidade pelo superior time do Everton. O Wimbledon chocaria o mesmo Everton na quinta rodada da FA Cup da mesma temporada, vencendo de 3 a 1, sendo eliminados em seguida pelo Tottenham.

O Wimbledon, com seu estilo simples de jogar, utilizando excessivamente da ligação direta para os seus atacantes, chegara ao topo do Campeonato Inglês. Muito criticados pelo seu estilo simples, rude e às vezes tosco, Bassett se esquivava, dizendo ser o esquema mais efetivo para o grupo de jogadores que tinha, bem como o mais eficaz para o grupo.

As críticas recebidas pelo grupo tornaram os jogadores cada vez mais próximos e guerreiros. O espírito de equipe era altíssimo, notório em todas as partidas, bem como nos treinamentos. Por isso, as brincadeiras que os jogadores faziam entre si ou com a comissão técnica, bem como as personalidades fortes e excêntricas dos jogadores, treinador e presidente, deram razão ao apelido The Crazy Gang, originário de um grupo de comediantes ingleses da década de 30. Mas esta alcunha só viria a se popularizar na maior conquista do clube.


Jogadores icônicos como Vinnie Jones, hoje ator de cinema, Lawrie Sanchez, o pequeno e habilidoso Dennis Wise e John Fashanu, um forte e guerreiro centro-avante, eram os mentores do grupo de jogadores polêmico e divertido. Mas o precursor do apelido seria o atleta formado na base do clube, Wally Downes, sendo o maior piadista de todos.

Apesar de serem grandes brincalhões, impunham medo e respeito nos seus adversários. Jones era um meia capaz de entradas perigosas e carrinhos violentíssimos. Fashanu era um centro-avante de grande imposição física e força, às vezes rude, tendo quebrado o nariz e o osso orbital do jogador Gary Mabbutt em uma disputa no ar. Jogando assim, com um grupo de muita raça, espírito de equipe e força, galgaram o seu espaço na Primeira Divisão, mantendo-se por longos anos.

Depois de mais duas temporadas firme na Primeira Divisão, viria a maior conquista do clube. Com a adição de jogadores pontuais, como Terry Phelan, Eric Young, Clive Goodyear e Terry Gibson, chocariam a Inglaterra, vencendo o multi-campeão time do Liverpool na Final da FA Cup de 1988, em um Estádio de Wembley completamente lotado. Dave Bassett já não era mais o treinador, declarando ter levado a equipe ao máximo que podia, deixando o cargo para Bobby Gould.

Aos 37 minutos do primeiro tempo, depois de uma bola levantada para a área, o meia Lawrie Sanchez cabecearia para o fundo da rede. O jogo era muito disputado, com um pênalti muito polêmico marcado para o Liverpool. Entretanto, o consagrado John Aldridge cobraria, para a brilhante defesa do goleiro Dave Beasant. Depois de sofrer com a pressão do Liverpool, o árbitro apitou para o fim da partida, uma vitória histórica de 1 a 0 sobre os vermelhos. Seria o ápice da curta história do Wimbledon.


O apelido do Wimbledon seria eternizado pelo narrador inglês John Motson, que ao apito final, exclamou: "The Crazy Gang have beaten The Culture Club!", ou seja, The Crazy Gang havia batido o Culture Club, apelido do Liverpool na época, pela classe e superioridade de seu futebol. Culture Club, também, era um conjunto musical de sucesso estrondoso na época, liderado pelo grande Boy George.

Passaram a ser a grande sensação do Futebol inglês por vários anos, e o carinhoso apelido pegou em definitivo. Mesmo com a aposentadoria do grupo original, a alcunha foi levada até o fim da história do clube, para fins de marketing e como apelido dado pelos torcedores. Se manteriam na Primeira Divisão até o ano de 2000, quando foram rebaixados, iniciando um triste processo de crise financeira e desmonte do time.

Em 2003, o Wimbledon entraria em processo de falência, e os seus proprietários realocaram o clube para a cidade de Milton Keynes, fundando o Milton Keynes Dons. Terminava aí a brilhante e curta história de uma das maiores surpresas do Futebol inglês.

Apesar de ser um grupo de jogadores muito polêmico - em um jogo contra o Newcastle, Vinnie Jones foi pego por um fotógrafo no exato momento em que agarrava as partes baixas de Paul Gascoigne - bem como considerado um time chato de se assistir - o craque Gary Lineker declarou: "A melhor maneira de se assistir o time do Wimbledon é pelo CEEFAX" (programa de teletexto de notícias da BBC, existente até hoje) - por conta do seu estilo simplório de jogo, era um clube muito querido e certamente marcante.


O Wimbledon, seja pelos seus jogadores brincalhões e cheios de personalidade, pelos torcedores apaixonados ou pelas partidas memoráveis, certamente vai ficar para a história do Futebol como um dos times mais divertidos de todos os tempos, juntando vitórias com polêmica, mas acima de tudo, com muita atitude e vontade de vencer. Os roxo-e-amarelos jamais vão ser esquecidos.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Grandes Treinadores: Béla Guttmann

Na segunda edição da série "Grandes Treinadores", um visionário do futebol. Também, um verdadeiro cigano, espalhando sua sabedoria e conhecimento no mundo todo. Trata-se do húngaro Béla Guttmann.

Guttmann foi treinador de vários grandes times na América do Sul e na Europa, conquistando diversos títulos com praticamente todos eles, além de ter sido pioneiro na modernização do Futebol nas décadas de 50 e 60.

Béla nasceu em 27 de janeiro de 1899, em Budapeste, na época, na Austro-Hungria, de uma família de judeus. Tornou-se jogador de futebol aos 20 anos de idade, no MTK, jogando dois anos por lá, e vencendo duas vezes Campeonato Húngaro. Em 1922, transferiu-se para o tradicional time da comunidade judaica de Viena, na Áustria, o Hakoah Wien, também conquistando uma vez o Campeonato nacional da Áustria.

Após uma turnê de dez jogos do Hakoah Wien nos Estados Unidos, Guttmann e vários jogadores decidiram ficar por lá. Jogou boa parte de sua carreira por lá, no Brooklyn Wanderers, New York Giants, New York Hakoah (time da comunidade judaica de Nova Iorque), New York Soccer Club e Hakoah All-Stars. Encerrou sua carreira voltando ao Hakoah Wien por uma temporada.

Jogou seis vezes pelo selecionado da Hungria, marcando um gol, na sua estreia, contra a Alemanha, em uma vitória por 3 a 0, em junho de 1921.

Onde terminou sua carreira como jogador, iniciou a de treinador. No Hakoah Wien, iniciaria sua movimentada carreira de técnico, passando pelo Enschede e novamente pelo Hakoah Wien em um período de cinco anos, antes de chegar no Újpest FC, onde venceu seu primeiro título na casamata, o Campeonato Húngaro da temporada de 1938-39. Além disso, conquistou a Copa Mitropa de 1939, uma espécie de torneio regional europeu disputado por países do centro do continente.

Sua carreira, e na verdade, de praticamente todos no futebol, passaria por um triste hiato, por conta da II Guerra Mundial. Guttmann, judeu, relatou ter conseguido fugir para a Suíça, território neutro, escapando dos Nazistas. Seu irmão mais velho não teve a mesma sorte, morrendo em um dos campos de concentração.

Em 1945, após o término da Guerra, assumiu o comando do Vasas SC por um ano. Por conta da falta de abastecimento de alimentos, insistia em receber seu salário na forma de vegetais! Treinou o Cocianul Bucharest, novamente por um ano, saindo por conta de um diretor tentar intervir na escalação de Guttmann.

Em 1947, voltou ao Újpest FC, na época Újpesti FC, conquistando novamente o Campeonato Húngaro. Na temporada seguinte, sucedeu Ferenc Puskás Sr., o pai do monstro sagrado do Futebol, Ferenc Puskás, no Kispest A.C. Entretanto, acabou tendo sido demitido por ter problemas pessoais com o jovem jogador.

Em 1949, acompanhando vários compatriotas treinadores e jogadores, migrou para a Itália. Passou, primeiramente, pelo Padova Calcio e pelo Triestina, antes de curtíssimas passagens pelo Quilmes, na Argentina, e pelo APOEL, do Chipre.

Finalmente, em 1953, assumiu o comando do Milan, onde se tornaria mundialmente conhecido. Treinou craques como Nils Liedholm, Juan Schiaffino e Gunnar Nordahl. Na sua segunda temporada, liderava o Milan no primeiro lugar do Campeonato Italiano, quando uma disputa com os dirigentes do clube o levou a ser demitido. Numa coletiva, surpreendeu a todos, disparando polemicamente: "Fui demitido mesmo não sendo um criminoso ou homossexual. Adeus!".

Treinou o Lanerossi Vicenza (hoje Vicenza Calcio) em uma temporada, antes de assumir o Honvéd, onde treinaria a base da legendária equipe da Hungria nos anos 50, comandando jogadores como Gyula Grosics, Gyula Lóránt, Lászlo Budai, Jószef Boszik, Sándor Kocsis, Zoltán Czibor e novamente o craque Ferenc Puskás.

Em uma turnê do Honvéd pelo Brasil, quando jogaram contra times como Botafogo, Flamengo e uma seleção entre esses dois times, resolveu ficar por aqui, como já havia acontecido na sua época de jogador. Treinou o São Paulo, vencendo o Campeonato Paulista de 1957.


Foi no Brasil que ele ajudou a popularizar o 4-2-4, tática dominante no final da década de 50, na década de 60 inteira e no início da década de 70.

O 4-2-4 foi criado, pela lenda húngara Márton Bukovi, em represália à rigidez do antigo W-M. A intenção era criar um esquema tático que aliasse defesa e ataque fortes. A ideia era usar 6 jogadores de ataque, e 6 jogadores de defesa, tendo em vista a aproveitar a evolução constante do preparo físico e da qualidade técnica dos jogadores.

Esse sistema permitiu maior solidez defensiva, pelo maior número de jogadores jogando na linha defensiva. Além disso, eram necessários jogadores que soubessem conduzir e passar a bola, para auxiliar a troca de passes e o ataque, não sobrecarregando os iniciais dois homens puros de meio-campo.

Além de tudo isso, era uma formação totalmente flexível, podendo sofrer mutações durante o próprio jogo.

O esquema encaixou perfeitamente com a mentalidade de jogo do Brasil, caindo nas graças dos times daqui. Santos, com Pelé, e o Palmeiras, com Ademir da Guia, obtiveram grande sucesso utilizando-se da formação, bem como as Seleções Brasileiras de 1958 e 1970.

Guttmann, se aproveitando de seu conhecimento tático, treinou em 1958 o Porto, de Portugal, ajudando Os Dragões a vencerem o Campeonato Português da temporada, recuperando uma vantagem de cinco pontos do líder anterior, Benfica, para onde iria na temporada seguinte.


Lá, embarcou nos tempos mais vitoriosos da sua carreira. Dirigiu um time formado por craques como Mário Coluna, Germano, José Águas, José Augusto, Costa Pereira e o maior de todos, Eusébio. Reza a lenda que Guttmann descobriu o jovem Eusébio numa viagem à Moçambique, na época de São Paulo, o contratando assim que chegara no Benfica.

Venceu a Copa dos Campeões Europeus em duas temporadas consecutivas, 1960-61 e 1961-62, batendo, respectivamente, Barcelona e o legendário Real Madrid, penta-campeão na época. Infelizmente, após ter negado um pedido de aumento de salário, foi demitido pelo Benfica.

Em uma frase célebre, declarou e profetizou o futuro das Águias: "Nem daqui a cem anos o Benfica voltará a vencer uma Copa dos Campeões". Desde então, o Benfica foi finalista em cinco oportunidades (1962-63, 1964-65, 1967-68, 1987-88, 1989-90), levando a pior em todas! Essa é a chamada "Maldição de Béla Guttmann".

Antes de encerrar a carreira, treinou o grande time do Peñarol em 1962, que ganharia o Campeonato Uruguaio e a Libertadores por duas vezes, mas não sob seu comando.

Passou ainda, em períodos curtos, pelas casamatas da Seleção da Áustria, Benfica novamente, Servette, Panathinaikos, Austria Wien e pelo Porto, onde se aposentou por definitivo.

Faleceu em 28 de agosto de 1981, em Viena, na Áustria, onde foi sepultado.

Guttmann era um homem muito polêmico. Capaz de frases impactantes, e dono de uma personalidade forte, cheia de confiança, muitas vezes teve problemas de relacionamento com jogadores e dirigentes. Às vezes, no seu trato, era um tanto quanto imprudente. Sobre seus costumeiros curtos períodos no comando de um time, que raramente passava de dois anos, declarou: "A terceira temporada é fatal".

Apesar de sua personalidade, foi um homem que mudou para sempre o Futebol mundial, com sua visão tática, que fez o jogo evoluir, e com todos os seus títulos. Foi um visionário, numa época em que o Futebol estava engessado com a falta de criatividade dos treinadores.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Grandes Uniformes: Copa do Mundo (Parte 1)

Bom, essa é a parte mais estilística do blog. Na verdade, não se trata de moda, mas sim, de uniformes marcantes que foram usados num campo de Futebol. Marcantes às vezes pela beleza e elegância propriamente dita do fardamento, outras pela excentricidade, ou até pela tradição.

No primeiro post desta série, grandes uniformes já vestidos em Copas do Mundo.

Não sou estilista, designer, tampouco especialista em moda! Apenas estou expressando minhas opiniões...

Começamos pela Copa de 2010!


Espanha - Away:

Nada como quebrar um grande tabu...A Espanha já vinha da conquista do título da Euro 2008, depois de 44 anos sem um título de expressão. A geração de Xavi, Iniesta, David Villa, Puyol, Fàbregas, entre outros grandes jogadores vinha em franca ascensão, com um estilo de jogo de muita técnica, posse de bola e categoria.

Na final da Copa, a Espanha utilizou o seu uniforme reserva. Um elegante fardamento todo azul-marinho, com as tradicionais três listras da Adidas com as cores da bandeira espanhola. Combinou totalmente com o estilo maduro e técnico de jogo da Fúria. Ao final, o merecido título de Campeão do Mundo, grande recompensa a uma geração vitoriosa, que trabalhou demais para chegar ao topo do planeta.


México - Away:

Mais um uniforme reserva. Às vezes realmente parece que os designers de uniforme deixam para caprichar no segundo uniforme... Desta vez, o fardamento reserva dos Astecas!

Os mexicanos inovaram, antigamente sempre sendo um fardamento branco, com calções verdes. Entretanto, na África do Sul, o uniforme todo negro, com detalhes em verde, vermelho e dourado chamaram a atenção. A Adidas fez um bom trabalho em ambos os uniformes do esquadrão mexicano, especialmente no preto. Com ele, conseguiram um empate contra a África do Sul.





Uruguai - Home:

A Celeste Olímpica voltou realmente em grande estilo à Copa do Mundo. Além da sua grande e inesperada campanha (um quarto lugar), com o melhor jogador do torneio, Diego Forlán, os uruguaios vieram com um belíssimo uniforme.

O tradicional uniforme de camisa azul-celeste, calções e meias negras foram magistralmente produzidos pela Puma. A gola pólo listrada em azul-celeste e branco deu ainda mais elegância ao fardamento.






Japão - Home:

Os nipônicos chegaram na Copa do Mundo de 2010 com talvez sua melhor equipe até então. Jovens jogadores como Keisuke Honda, Shinji Okazaki e Atsuto Uchida surpreenderam o mundo se classificando em um grupo com Holanda, Camarões e Dinamarca, apenas perdendo para os holandeses.

Foram eliminados pelo Paraguai nas oitavas-de-final apenas na disputa de pênaltis, depois de um jogo disputadíssimo. Mas certamente, o uniforme azul com pequenos detalhes vermelhos marcaram muito bem a boa campanha dos Samurai Blue.





Estados Unidos - Home:

Este uniforme eu menciono pela sua história, não tanto pela beleza. O uniforme branco, com uma listra em diagonal quase imperceptível, homenageava o aniversário de 60 anos do maior jogo da história do Futebol nos E.U.A. - vitória surpreendente de 1 a 0 sobre a Inglaterra na Copa do Mundo de 1950.

Uma homenagem bacana a aqueles que fizeram história defendendo os Ianques.







Nova Zelândia - Away:

Pode até parecer meio sem graça pra quem lê, mas este uniforme foi um dos mais legais da Copa de 2010. Totalmente preto, apenas com alguns mínimos detalhes em branco, o fardamento reserva dos All Whites, apelido carinhoso da Seleção de Futebol da Nova Zelândia.

Apesar do uniforme natural ser o totalmente branco, também bem bacana, com este fardamento, os neo-zelandeses conseguiram fazer a melhor campanha da sua história em Copas do Mundo: três empates!







África do Sul - Home:

Os donos da casa não podiam fazer feio, pelo menos no fardamento. A Adidas não decepcionou. O tradicional uniforme de camisas amarelas com calções verdes ficou simples mas bonito. Foram adicionadas texturas diferentes na parte da frente da camisa para diferenciar dos outros uniformes da marca.

Infelizmente, os Bafana Bafana não se saíram tão bem. Foram eliminados na primeira fase, mesmo com o apoio da torcida e jogando em casa.






França - Away:

A França não fez uma boa Copa do Mundo em 2010. Aliás, foi uma péssima Copa para Les Bleus, sendo eliminados já na primeira fase, marcando apenas um ponto.

Entretanto, seu uniforme reserva, homenageando os clássicos uniformes da década de 80, com finíssimas listras verticais em azul e vermelho, ficou de extrema elegância e beleza. Uma pena que só puderam usá-lo em uma partida, contra o Uruguai.


É isso para a Copa do Mundo de 2010. No próximo post, Copa de 2006!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Craques que não Assistimos Jogar: Gunnar Nordahl

Esta é uma seção dedicada àqueles grandes jogadores que não pudemos ver, mas que são reconhecidos como lendas do Futebol mundial. Não vimos talvez pela época em que jogaram, ou pelo país... Não importa!

Hoje, o post é dedicado a um jogador que não era nada menos de que uma máquina de fazer gols: Gunnar Nordahl.

Nordahl nasceu em 19 de outubro de 1921, na cidade de Hörnefors, na Suécia. Começou a sua carreira na cidade mesmo, no Hörnefors IF, em 1937. Lá já daria uma pequena amostra do seu faro de gol, marcando impressionantes 68 gols em apenas 41 jogos!

Após três anos, transferiu-se para o Degerfors IF, onde manteve uma boa média de gols. Em quatro temporadas, marcou 56 gols em 77 partidas.

Pelo sucesso em Degerfors, foi comprado pelo IFK Norrköping, onde ganhou status de grande jogador. Ganhou quatro títulos do Campeonato Sueco, marcando 93 gols em 95 jogos disputados. Em uma partida, chegou a marcar sete gols!

Além disso, foi artilheiro do Campeonato Sueco por quatro vezes, em 1940 (pelo Degerfors), 1945, 1946 e 1948 (no Norrköping).

Nas Olimpíadas de 1948, fez parte da equipe sueca que conquistou a medalha de ouro no Futebol, sendo o artilheiro do torneio.

O Milan, gigante do Futebol italiano, se impressionou tanto com a qualidade do sueco que o importou em 1949. O interessante é que, juntamente com Nordahl, os Nerazzurri trouxeram também dois seus compatriotas e colegas de Seleção Sueca, os grandes Gunnar Gren e Nils Liedholm. Juntos, formariam um trio de ataque formidável, conhecido e venerado até hoje, o Gre-No-Li (sílabas dos três nomes).


O centro-avante se tornaria o segundo maior artilheiro da história do Campeonato Italiano, só ficando atrás de outra lenda, o italiano Campeão do Mundo Silvio Piola. Nas suas nove temporadas em Milão, marcou 210 gols! Também, foi coroado cinco vezes o artilheiro da Serie A, o chamado título de Capocannoniere, um recorde não batido até hoje, e que provavelmente não vai ser ultrapassado.

Nas cinco vezes que foi artilheiro, marcou 35 (1949-50), 34 (1950-51), 26 (1952-53), 23 (1953-54) e 27 (1954-55) gols. Só marcaram mais ou igual número de gols em uma edição do Campeonato Italiano o húngaro Ferenc Hirzer (1925-26) e o ítalo-argentino Julio Libonatti (1927-28) com 35 gols, e Gino Rossetti, na temporada 1928-29, com 36 gols.

Dentre os vários títulos que venceu no Milan, conquistou dois Campeonatos Italianos, em 1951 e 1954, sendo artilheiro em ambas oportunidades, bem como quatro vezes a Coppa Italia e duas vezes a Coppa Latina.

Saindo do Milan, ainda jogou mais dois anos na Roma, marcando 15 gols. Terminou sua carreira em 1960, no Karlstad IF.

Nordahl era um jogador alto e muito forte para a época (media 1,85m e pesava 90 kg), chegando a parecer pesado demais para jogar Futebol profissionalmente. Entretanto, era capaz de reagir rapidamente e chegar sempre à frente dos zagueiros adversários. Seu posicionamento fabuloso permitia finalizações rápidas e eficientes.

Fazia gols de todos os modos possíveis, chutando de longe, com categoria ou com força, de perna esquerda ou direita, de cabeça, de primeira, por cima do goleiro... Nordahl fazia pilhas de gols, da maneira que fosse!

Não teve uma carreira internacional muito longa, apesar de ter atuado 33 vezes e marcado 43 gols. Após a sua transferência para o Futebol da Itália, não poderia mais ser convocado para o selecionado sueco, pois as regras não permitiam que jogadores profissionais atuassem pelo país.

Nordahl é considerado como um dos maiores atacantes da história do Milan e do Futebol Italiano. Nenhum outro jogador estrangeiro marcou mais gols que ele no país.

É conhecido até hoje com muito carinho pelos torcedores milaneses como "Il Cannoniere", a Canhoneira, pela quantidade de gols que marcou. Seu chute também era comparado com o de um canhão.

Faleceu em 1995, com 73 anos de idade, em Alghero, na Itália, cidade onde morava.

Seu legado jamais vai ser esquecido pelos torcedores do Milan e da Suécia. Quando Andriy Shevchenko marcou seu centésimo gol com a camiseta rubro-negra, os torcedores mais antigos e que viram Nordahl jogar, diziam: "Bom, ele terá que dobrar isso, marcar mais 26 vezes, para daí sim chegar aos pés do Cannoniere".

Pelo jeito, os mais velhos realmente têm razão...